A ORIGEM E A EVOLUÇÃO DO FUTEBOL AMERICANO DE PRAIA

Foto: Carol Fontes

Prof. Mst.Bruno de Oliveira Rosa, UGF-RJ/ [email protected]
Prof. Esp. Lisandro Ramos Feitosa, SME-RJ/ [email protected]
Prof. Felipe Braga, UGF-RJ/ [email protected]
Prof. Dr. Silvio Telles, UGF-RJ/ [email protected]

PALAVRAS CHAVE: História – Esporte – Futebol Americano de Praia


RESUMO

O objetivo desse estudo é ampliar o conhecimento sobre a trajetória do futebol americano de praia, bem como o aparecimento desse esporte no Estado do Rio de Janeiro. A pesquisa relata uma compreensão maior sobre sua origem e evolução, suas características básicas e suas regras adaptadas ao contexto do jogo realizado nas praias. A história desse esporte é contada através de matérias, sítios de internet, jornais e uma pesquisa realizada entre alguns participantes do esporte. Conclui-se que essa modalidade esportiva, amadora e sem muito recurso, desenvolve-se com muita seriedade, com o objetivo de divulgar sua prática por todo o Brasil.

INTRODUÇÃO

Com passar dos séculos muitos esportes foram criados, alguns foram e ainda são altamente implantados em algumas sociedades e uns surgem a partir de outros. O fato curioso é que muitos desses esportes, que a primeira vista não tem nada a ver uns com os outros, tiveram uma única origem há séculos atrás, como por exemplo, o futebol que é mundialmente conhecido como “soccer” e o “football”, conhecido nas terras brasileiras como Futebol Americano.

De acordo com relatos de ex-praticantes no Rio de Janeiro, o futebol americano de praia foi criado há cerca de 20 anos e atualmente é um dos esportes que vem se desenvolvendo no Rio de Janeiro. Em 1999, teve o início o projeto para o primeiro Campeonato Carioca de Futebol Americano de Praia. O evento organizado por Robert Segal e Bianco Costa, contaria inicialmente com três equipes. No entanto, com a proximidade do início da competição e com o incentivo da mídia local, seis equipes disputaram aquela competição. Assim, em 2000, teve início o I Campeonato Carioca de Futebol Americano de Praia, tendo como vencedor o Rio Guardians.

Não existem muitas diferenças do futebol americano praticado nas areias das praias cariocas para o praticado nos Estados Unidos. As regras basicamente são as mesmas e para que o jogo flua melhor, há uma ligeira adaptação nas regras para a nossa realidade, mas nada que descaracterize o jogo.

Alguns registros históricos indicam como data de nascimento do futebol americano, o ano de 1874 e ele teria surgido por acaso. As Universidades de Harvard, nos Estados Unidos e McGill, no Canadá, jogavam o futebol que nós conhecemos (soccer) e, após um jogo, resolveram continuar em campo. Combinaram então fazer uma variação de rúgbi (o pai do futebol), como era jogado no Canadá, onde se permitia tudo, agarrões, derrubadas do jogador com a bola e assim por diante. Surgia o futebol americano universitário (Duarte, 2000). Coube a Universidade de Yale, em New Haven, desenvolver técnicas e estratégias do jogo, difundindo-o por toda América. Um nome deve ser destacado, o de Walter Camp, uma espécie de Charles Miller desse esporte. Muita gente dos Estados Unidos considera o jogo uma “batalha de guerreiros” (Duarte, 2000).

Este estudo caracteriza-se pela busca do surgimento do futebol americano de praia no Rio de Janeiro, bem como também investigarmos o processo que explicita a evolução desse novo esporte no contexto do estado, além de compreendermos as características básicas da regra adaptada em relação ao contexto do jogo original.

Partindo da idéia de ser uma atividade ainda pouco divulgada pela mídia local e que sofre certo preconceito pela população pouco esclarecida em relação ao assunto, houve interesse de entender melhor e ajudar a esclarecer a história desse esporte que a cada ano que passa vem ganhando mais admiradores e seguidores.

A partir de alguma vivência no esporte e também tendo como base as entrevistas realizadas, partiu-se da idéia de que um grupo de pessoas apaixonadas pelo Futebol Americano resolveu sem muitas responsabilidades praticar o esporte. E ao ver o tamanho interesse das pessoas que ali transitavam, houve uma dedicação maior, facilitando o trabalho de campo.

O presente artigo se utilizou da história oral e abrindo outra linha metodológica buscamos através de uma revisão de literatura artigos, revistas, jornais e sítios da internet e assim confrontar os dados obtidos e com isso desenvolver uma recomposição da historia do futebol americano de praia.

Foram utilizadas nesta pesquisa algumas entrevistas a fim de verificar como se originou o esporte e como ele vem se desenvolvendo com o passar dos anos. As entrevistas aconteceram em forma de gravação, guiada por um roteiro que determinou o rumo da mesma. Ao lado de textos, imagens e registros, as entrevistas são tomadas como base para a compreensão de determinadas situações históricas, sendo tal método mais utilizado por historiadores, sociólogos, antropólogos entre outros. O trabalho com a metodologia da história oral consiste em uma série de trabalhos antes e depois da gravação. Anteriormente é necessária uma pesquisa, um levantamento de dados, para que seja produzido um roteiro com o qual o entrevistador vai guiar a entrevista com o entrevistado. Posteriormente a interpretação da entrevista, que é tida como a parte de mais dificuldade de todo o processo. (Tompson, 1992)

A história oral tem por muitas vezes a sua credibilidade questionada pelo fato da mesma lidar com pessoas, sendo assim sujeita à memória do entrevistado e a honestidade do mesmo. Mas o que seria um problema passa a ser um recurso a partir do momento que cada entrevistado passa uma visão do fato a ser estudado, cabendo, portanto ao entrevistador saber analisar e discutir os dados. A amostra desta pesquisa foi composta de cinco indivíduos, homens que praticam ou tenham praticado o esporte tendo um papel relevante na evolução do mesmo no Rio de Janeiro.

REVISÃO DE LITERATURA

O Rúgbi é o esporte no qual se originou o Futebol Americano. Muitos acreditam nessa hipótese já que os esportes são muito parecidos. Já em 1823, na Rugby School, surgiu o rugby ou rúgbi. Graças a um jovem chamado Willian Ellis, que irritado com a sua má atuação numa partida de futebol, agarrou a bola com as mãos e saiu correndo com ela. Seus companheiros e adversários o seguiam por todo o campo, até chegar ao gol do time adversário onde, colocou a bola. Surgia o rúgbi! (Duarte, 2000).

As medidas do campo em relação ao futebol americano não são iguais, exceto o gol. As regras de jogo também são bastante diferentes entre ambas as modalidades, mais o gol faz lembrar muito um ao outro. O rúgbi aos poucos chegou ao Brasil pelos ingleses que vieram de navio. Hoje ele é praticado no nosso país. Rio de Janeiro e São Paulo são os estados que tem uma força maior no esporte. O futebol americano de praia por sua vez, segundo a AFAB (Associação de Futebol Americano do Brasil), tem seu primeiro registro por volta de 1986, quando um grupo de jovens começou a se reunir nos fins de semana, mais especificamente na praia de Copacabana para jogar.

O primeiro time que se tem registro no Rio de Janeiro foi o Rio Guardians, criado em 1992, a equipe pioneira de futebol americano, que tinha como símbolo uma torre de xadrez, em alusão à fortificação instalada aos pés do morro do Pão de Açúcar, nos anos de 1560, e de uniforme nas cores branco, preto e ouro.

Inicialmente fundado por Robert Segal, a equipe do Rio Guardians logo ganhou a adesão de Thomaz Brasil, Rodrigo Hermida, Alex dos Santos, Carlos do Nascimento, Marco Oliveira, Leandro Maltez, Paulo Rodrigues, José Maurício Rego, Antônio da Costa e Anderson Pereira. Depois, Dan Cukier, Marcello Pereira, Fabiano Miron, Ival Maziero de Jesus, Carlos Matias, Sérgio Mendes, Erik e William Fogtman também ingressaram na equipe. Já em 1994 ocorreu um workshop de futebol de bandeira (flag football), que foi ministrado pelo ex-astro da NFL (Liga Nacional Norte Americana) Mel Owens, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Após tal evento, aparece o segundo time de futebol americano de praia, o Mamutes.

Em 1999, foi traçado o primeiro Campeonato Carioca de Futebol Americano. O evento, organizado por Robert Segal e Bianco Costa, contaria inicialmente com três equipes. Todavia, com a proximidade do início da competição e com o incentivo da mídia local, seis equipes disputaram aquele campeonato: Rio Guardians, Leme Holes, Barra da Tijuca Fire Birds, Botafogo Reptiles, Tijuca Night Hawks (atual Tijuca Fênix) e Rio No Limits. E assim, em janeiro de 2000 teve início o I Campeonato Carioca de Futebol Americano com a participação das seis equipes filiadas à Associação Carioca de Futebol Americano – ACFA. A equipe do Rio Guardians conquistou invicto o primeiro campeonato carioca de futebol americano, depois de vencer o Tijuca Night Hawks, na partida final, a qual ganhou o nome de Carioca Bowl I.

Em 2001, o II Campeonato Carioca de Futebol Americano foi realizado com a participação de cinco equipes. O campeonato foi organizado por Robert Segal, Carlos Gelio e Ricardo Ferreira. Desta vez, a recém criada equipe do Copacabana Eagles, dirigida por Franz Anderson dos Santos, ex-Guardians, participou da competição, sagrando-se campeã, no qual recebeu um troféu enviado pela NFL – Liga de Futebol Americano Profissional dos EUA, em reconhecimento ao esforço dos cariocas em praticar e divulgar o Futebol Americano no país. Na final, o Copacabana Eagles bateu a equipe do Botafogo Reptiles em uma partida decidida somente na prorrogação. Após a competição, a equipe do Rio Guardians se retiraria de cena, depois de uma década de atuação nos campos de futebol americano.

Em 2002, sob a direção de Carlos Gelio, o III Campeonato carioca de Futebol Americano foi realizado. Desta vez, a equipe do Botafogo Reptiles conquistou o Carioca Bowl III, após bater o Copacabana Eagles em uma partida marcada pelos ventos fortes e pela chuva intensa. A equipe de Botafogo, assim como aconteceu com a equipe do Rio Guardians, se tornaria a próxima equipe a ser batida.

Em 2003, o IV Campeonato de Futebol Americano foi realizado com a participação de oito equipes, as quais foram distribuídas em duas conferências. A Conferência Azul foi formada pelas equipes do Botafogo Reptiles, Piratas, Saquarema Tsunamis e Tijuca Fênix, ao passo que a Conferência Branca foi composta pelas equipes do Copacabana Eagles, Flu-Gorilas, Mamutes e RJ Sharks. A equipe do Botafogo Reptiles chegou inclusive a contar com o patrocínio do Clube de Futebol e Regatas do Botafogo, enquanto que a equipe dos Gorilas continuou até o início de 2006 a sua parceria com o Fluminense Football Clube.

Em 2004, o V Campeonato de Futebol Americano do Rio de Janeiro foi realizado pela Associação de Futebol Americano do Brasil – AFAB, entidade desportiva recém criada, com sede na cidade do Rio de Janeiro, com o principal objetivo de difundir o esporte pelo Brasil. A competição contou com o número recorde para a época de 12 equipes: Botafogo Reptiles, Copacabana Eagles, Falcões, Flu-Gorilas, Ipanema Devils, Mamutes, Niterói Warriors, Piratas, RJ Red Lions, RJ Sharks, Saquarema Tsunamis e Tijuca Fênix. Nos anos seguintes a competição evoluiu, e no atual ano, são exemplos da evolução: a padronização das bolas e a padronização dos uniformes dos juízes. Mais uma vez um número recorde de 16 times participantes. O Carioca Bowl, como é conhecida a final do campeonato carioca, é sempre realizada no fim do ano.

A explosão do esporte levou os times a se organizarem a fundar a AFAB – Associação de Futebol Americano do Brasil – criada no inicio de 2002 numa série de medidas planejadas para melhor organizar o esporte no Rio de Janeiro e depois no resto do país. Hoje, dezesseis times integram a AFAB, doze do Rio de janeiro, três de Niterói e um de Saquarema. O Campeonato Estadual de Futebol Americano de Praia vai para o seu décimo ano.

Assim como aconteceu na liga Europeia (NFL Europe) no ano passado quando o Barcelona F.C. passou a dirigir o Dragons, aqui no Brasil os grandes clubes esportivos começaram a demonstrar interesse e a apostar no Futebol Americano. Em agosto de 2004, o Fluminense Football Clube oficializou a sua parceria com o Gorilas, criando um Departamento de Futebol Americano do clube e com todos os jogadores se tornando atletas do Departamento de Esportes Olímpicos do Fluminense Football Club, contando com uma infra-estrutura que poucos atletas no país tem o privilegio de ter acesso, parceria essa que foi encerrada em 2006. Até o ano de 2004 a equipe do Reptiles, era filiada ao Botafogo Futebol e Regatas e desde o ano de 2006, a equipe do Rio de Janeiro Red Lions, passou a ser amparada pelo tradicional América Football Clube.

ANÁLISE DE DADOS

Tendo seu primeiro registro em 1986, o futebol americano de praia, é historicamente muito novo, o que explica muitas das dificuldades encontradas pelo esporte até os dias de hoje. Percebemos que com um pouco mais de organização, é possível evoluir, tendo em vista que o segundo campeonato teve como prêmio à equipe campeã, um troféu enviado pela Liga Americana de Futebol (NFL).

Observando a criação do time Mamutes, que ocorreu logo após um workshop da NFL no Rio de Janeiro, percebe-se que ao dar informação, visibilidade e oportunidade, a probabilidade do esporte se desenvolver é muito maior, pois assim como o time citado, outros surgiram motivados pelo pouco que se viu sobre o esporte na televisão e em outros meios de comunicação.

[…] a exposição nas mídias com o crescimento e divulgação da NFL no Brasil é um fator crucial, com isso os praticantes tem mais acesso a informações e equipamentos[…] –( Igor Valentim)

Mesmo sem contar com grande apoio dos meios de comunicação, sem grandes patrocínios e investimentos, o campeonato carioca já se encaminha para sua décima edição. Como cita o entrevistado Bruno Millano:

O custo do material, a falta de apoio da mídia e de patrocinadores, acabam prejudicando a divulgação do esporte perante o grande público, que por certo seria bem melhor.

Entendemos que grande parcela do sucesso do campeonato, deve ser creditada à Associação de Futebol Americano do Brasil (AFAB), que desde 2004, passou a organizar a competição e introduziu uma tabela fixa de jogos para todo o ano além de promover algumas mudanças nas regras para que ficassem mais viáveis a quem assiste aos jogos que em sua maioria são pessoas das famílias dos atletas que se somam aqueles que apesar da falta de mídia tiveram conhecimento do esporte. A padronização dos uniformes para árbitros, realização de clínicas de arbitragem e uma prova para habilitar os jogadores aptos a serem juízes, entre outros. Como explica Nuno:

Os representantes dos times, após um perceptível crescimento do esporte, acharam por bem do mesmo criar uma associação para reger os torneios, estabelecer regras e diretrizes a serem cumpridas pelas equipes participantes.

Um grande exemplo da evolução do campeonato é a observação da quantidade de times participantes, como também a final do campeonato, o chamado Carioca Bowl. De mais, um jogo disputado na praia de Botafogo, a final da competição ganhou notoriedade, sendo realizado nos últimos anos na praia de Copacabana e com uma estrutura que cada vez mais chama atenção. O Carioca Bowl de 2007, diferente de anos anteriores, contou com arquibancada para os espectadores, cercado em torno do campo para conter os curiosos e as antes constantes invasões de campo pelos banhistas desavisados, obteve da AFAB suporte aos atletas com o fornecimento de água para os times participantes, torre de filmagem para posterior publicação de DVD.

Vivenciando o dia a dia dos jogadores e envolvidos entendemos que a falta de um ídolo, um brasileiro na liga americana, é um outro fator limitador na divulgação e popularização do futebol americano não só no Rio de Janeiro, como no Brasil, já que não possuímos grandes nomes no esporte, como possuímos no futebol e no basquete, por exemplo.

Percebe-se que dentre os entrevistados, quase todos entraram no esporte sendo levados por amigos. Alguns já até acompanhavam o esporte quando o canal de televisão, Rede Bandeirantes, passou a transmitir jogos da NFL na televisão aberta, o que será objeto de comentários em outro momento. Analisando as entrevistas, é perceptível que o fato de ser levado por alguém que já praticava o esporte, é um dos fatores mais relevantes que levam as pessoas a começarem a praticar o futebol americano. Se em 1986 eram cerca de 20 praticantes, em 2006 à AFAB (Associação de Futebol Americano do Brasil) conta com aproximadamente 600 atletas inscritos, não considerando os técnicos, e outros profissionais que movimentam a AFAB. (Frontelmo & Ribeiro, 2006). O entrevistado Bruno Millano atleta atuante na prática do esporte, em suas colocações ratifica o constatado:

na verdade mesmo, está crescendo por causa dos jogadores e pessoal envolvido, cada um que começa a jogar, leva algum amigo. A divulgação do esporte acaba ocorrendo de boca em boca.

Uma vez verificado os depoimentos, percebe-se que cada atleta conduz um amigo, um conhecido, começando a surgir os times de futebol americano de praia no Rio de Janeiro. Uma dúvida, no entanto, ainda se encontrava sem resposta: Por que na praia? A resposta é praticamente a mesma entre os entrevistados: falta de material e falta de espaço adequado. Como estes praticantes não tinham campo apropriado, capacete, pad (proteção peitoral), flack vest (proteção região da cintura pélvica), chuteira, luva e uniformes apropriados, dentre outros materiais usados para a prática deste esporte no campo. Então, de forma criativa buscaram uma maneira econômica e viável, completamente adaptada ao clima do país, condizente com o espírito do povo, para pratica do futebol americano e a partir dessa criatividade é que esses atores sociais encontraram em um primeiro momento, outras formas de praticar esse esporte, uma delas foi a de maior número de praticantes: o futebol americano de praia (Beach Football).

Se em mais 20 anos depois, o material de futebol americano ainda é difícil de ser encontrado com custo extremamente elevado, quando os fundadores do esporte começaram a pensar como fazê-lo, era ainda pior. O Rio de Janeiro possui um vasto litoral, sendo assim, a questão do espaço estava resolvida, como também a questão das proteções. Na areia, a velocidade do jogo ficaria menor, ficando de tal forma, menos perigoso mesmo sem todo o equipamento apropriado utilizado no futebol americano praticado na grama.

Em parte por conta da extensão de praia e em parte em virtude dos custos de importação dos materiais de proteção que por acaso ainda continuam elevados mais de 20 anos depois. Com os Elevados custos e conscientes das possibilidades de lesões o jogo foi adaptado para usar a praia, reduzindo a velocidade e força dos impactos. (Rodrigo Hermida)

Mesmo sendo desta forma, outras dificuldades foram encontradas ao longo do caminho, uma delas foi o sucesso do Beach Soccer, o futebol de praia, que começou a possuir diversos campos nas praias de Copacabana, onde também se realizava o Futebol Americano de Praia (o Beach Football). Antes da criação do Beach Soccer, o futebol praticado na areia, era jogado nas mesmas regras do futebol de grama, tanto nas medidas quanto no numero de jogadores. Assim, um campo que antes era montado para 11 jogadores e com medidas de campo oficial, passou a servir a outra modalidade esportiva, porém, sem condição de ser aproveitado para o futebol americano de praia. Os campos de Beach Soccer são menores (as medidas de um campo de futebol vão de 90 a 120 metros de comprimento por 45 a 90 metros de largura, e as medidas de um campo de futebol americano vão de 82 a 119 metros de comprimento por 32 a 49 metros de largura. Já as medidas de um campo de Beach Soccer vão de 35 a 37 metros de comprimento por 26 a 28 metros de largura), logo não são compatíveis com o campo mínimo para a prática do Beach Football.

Dados de 2003 mostram que o futebol americano de praia já era praticado em 13 praias do Rio de Janeiro, incluindo Saquarema e Niterói. A popularização e os fatores positivos ou negativos, também obtiveram destaque nesse trabalho. Para a maioria dos entrevistados, um fator de limitação para que o esporte cresça e se desenvolva com mais rapidez é a falta de apoio da mídia. Na década de 80, a Rede Bandeirantes, para fazer jus ao título de “canal do esporte”, passou a transmitir jogos da Liga Norte Americana (NFL), essas transmissões que tiveram pouco tempo na grade de transmissão, foram suficientes para conquistar várias pessoas que buscavam um esporte novo e que posteriormente começaram a praticar o futebol americano no Rio de Janeiro.

No início, os jornais e canais de TV, associavam o esporte à violência, praticado por pessoas agressivas, “malucas” entre outros aspectos difamatórios. Ultimamente, no entanto, a mídia vem exercendo um papel mais didático e fazendo diversas reportagens sobre o esporte. Percebendo esse constante crescimento, recentemente a página de esportes do sítio Globo.com, criou uma página destinada somente ao futebol americano onde, por exemplo, são destaques notícias sobre o campeonato carioca, sobre a liga norte americana entre outros eventos sobre o esporte.

Outros projetos existem para que no ano de 2009 o canal de TV por assinatura Bandsport, transmita ao vivo jogos do campeonato carioca, o que certamente será mais um grande passo rumo à popularização desse esporte. Mesmo diante dos resultados acima, quatro dos cinco entrevistados, entendem que o apoio ainda não é o suficiente, que a mídia poderia sim dar mais espaço não só ao futebol americano, mas como também a outros esportes amadores. O entrevistado que deu uma resposta diferente, afirmou:

[…] o esporte é um atrativo em si. Por ser um esporte sem patrocinador e sem apoios, a mídia já da uma abertura muito grande o que favorece a divulgação do nosso jogo […] (Lefevre)

O patrocínio, ou a falta dele, também foi exaustivamente citado pelos entrevistados, para todos eles a falta do mesmo, limita muito o desenvolvimento do esporte, pois sem recursos financeiros, não se pode obter uniformes de qualidade, material de campo, de jogo, condições necessárias para viagens e o mais importante, mas que também é mais negligenciado por falta de verba: assistência médica durante os jogos.

Falta de incentivo, patrocinadores, pouca divulgação, local adequado para os jogos, falta de equipamento, infra-estrutura tanto para atletas quanto para o público…Mais ou menos isso […]Nuno.

O jogador Rodrigo Hermida, ainda afirmou:

Depois de organizar com sucesso o primeiro campeonato… os envolvidos no mesmo gostaram e começaram a falar com amigos… novos times e novas pessoas foram aparecendo no circuito e consolidou-se a idéia de que alguém precisava dar um jeito nas coisas aqui pelo Rio… foi mais ou menos assim… meio que empurrando.

A presença de uma instituição licenciada com CNPJ fez com houvesse uma maior facilitação para os times na busca de parcerias com clubes e até mesmo patrocínios por intermédio de grandes empresários. Montar um projeto de patrocínio, sem que haja uma federação ou uma associação é muito mais difícil, uma vez regulamentada exprime uma maior organização e seriedade no que esta sendo proposto.

CONCLUSÃO

Conclui-se que a nova modalidade de esporte praticada no Rio de Janeiro, apesar de estar em constante crescimento teve seu primeiro registro em 1986 no Rio de Janeiro. Ainda hoje necessita de um maior apoio dos meios de comunicação para que seu desenvolvimento acelere cada vez mais e ocorra uma maior facilidade de encontrar patrocínio e os campeonatos passem a contar com uma infra-estrutura digna e correta, ou seja, que durante todo o campeonato possa gozar da mesma estrutura realizada na final do Carioca Bowl VIII, com um campo montado com as medidas corretas, arquibancadas para torcedores, fornecimento de água para os atletas, serviço medico especializado para os jogadores e assim atraindo cada vez mais jogadores e admiradores para o esporte.

REFERÊNCIAS

  1. DUARTE, Orlando. História dos esportes. São Paulo: Makron Books, 2000.
  2. FRONTELMO, Paulo; RIBEIRO, C.H.V. Futebol Americano no Brasil. Estratégias e Limitações no país do Futebol. Revista Digital efdeportes.com, 2006. Disponível em: http://fdeportes.com/efd102/futebol.htm. Acesso em 22 mai.2007.
  3. Futebol Americano de Praia. O globo. Rio de Janeiro, 8 fev. 2004. Anexo Barra da Tijuca.
  4. Futebol Americano de Praia. O globo. Rio de Janeiro, 8 jul. 2004. Anexo zona sul.
  5. Sítio da Associação de Futebol Americano do Brasil. Disponível em: http://www.afabonline.com.br/. Acesso em: 10 abr.2009.
  6. Sítio do América Red Lions. Disponível em: http://www.redlions.com.br/#. Acesso em: 10 abr.2009.
  7. Sociedade e Valores dos EUA, Revista eletrônica do Departamento de Estado dos EUA, v.8, Dez. 2003.
  8. TOMPSON, P. A voz do passado história oral. Rio de Janeiro: Cortez, 1992