ANÁLISE DO PROCESSO DE INSERÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO FUTEBOL AMERICANO EM CURITIBA/PR

LAÍS CRISTYNE ALEXANDRE DOS SANTOS
Universidade Federal do Paraná/ Brasil
[email protected]
SABRINA COELHO DOS SANTOS
Universidade Federal do Paraná/ Brasil
[email protected]
KELWIN SANTOS DA CRUZ
Universidade Federal do Paraná/ Brasil
[email protected]
ISABELLE PLOCINIAK COSTA
Universidade Federal do Paraná/ Brasil
[email protected]

Resumo

O objetivo desse artigo é analisar o processo de inserção e desenvolvimento do futebol americano na cidade de Curitiba/PR, por meio da análise da constituição organizacional da equipe local Brown Spiders FA. Dado a escassez de produções qualitativas relacionadas ao futebol americano, a metodologia seguiu os preceitos de uma pesquisa exploratória, através de um estudo de caso, gerado por seu caráter específico. Complementarmente utilizou-se como aporte metodológico os preceitos teóricos campo, habitus e capital, do sociólogo Pierre Bourdieu. Concluímos que o esporte se desenvolveu inicialmente por meio de uma brincadeira entre amigos e a cidade de Curitiba, assim como a equipe Brown Spiders, são pioneiras no desenvolvimento da modalidade no cenário nacional. Porém, o futebol americano se encontra num processo de desenvolvimento no Brasil, avançando lentamente rumo à profissionalização esportiva, dado os altos custos financeiros que envolvem a prática e a impossibilidade de dedicação exclusiva dos atletas.
Palavras-chave: Futebol Americano; Esporte; Esportivização.
________________________________________________________________________________

Análisis del proceso de integración y desarrollo de fútbol americano de Curitiba/PR

Resumen

El objetivo de este trabajo es analizar el proceso de integración y desarrollo del fútbol americano en la ciudad de Curitiba / PR, através de enfoques con el equipo de Brown Spiders FA. Dada la escasez de producciones cualitativo relacionados con el fútbol, la metodología seguida los preceptos de una investigación exploratoria a través de un estudio de caso, generada por su carácter específico. Además se utilizó como el enfoque metodológico preceptos teóricos campo, habitus y el capital, el sociólogo Pierre Bourdieu. Llegamos a la conclusión de que el deporte se desarrolló inicialmente a través de una broma entre amigos y la ciudad de Curitiba, así como el equipo de Brown Spiders son pioneros en el desarrollo del deporte en la escena nacional. Sin embargo, el fútbol americano es un proceso de desarrollo en Brasil, avanza poco a poco hacia la profesionalización deportes, dados los altos costos financieros y la práctica imposibilidad de dedicación exclusiva de los atletas que participan.

Palabras clave: Fútbol Americano; Deporte; Deportivización.
________________________________________________________________________________
Analysis of the process of integration and american football development in Curitiba/PR

Abstract

The objective of this paper is to analyze the process of insertion and development of football in the city of Curitiba / PR, through the constitution of Brown Spiders FA team. Given the shortage of qualitative productions related to football, the methodology followed the precepts of an exploratory research through a case study, generated by its specific character. In addition, it was used as methodological approach the theoretical precepts field, habitus and capital, the sociologist Pierre Bourdieu. We conclude that the sport was initially developed through a joke between friends and the city of Curitiba, as well as Brown Spiders team are pioneers in the development of the sport on the national scene. However, football is in a development process in Brazil, inching towards sports professionalization, given the high financial costs involved practice and impossibility of exclusive dedication of the athletes.
Keywords: Football; Sport; Sportivization.
________________________________________________________________________________

Introdução

O futebol americano (FA), configura-se como um esporte coletivo, cujo objetivo principal é a “conquista” do território adversário até a endzone (zona final). Quando o jogador chega a zona final, ele marca um touchdown, pontuação máxima do jogo. Para tal, é necessário que os jogadores avancem pelo campo em uma série de jogadas, denominadas downs. As jogadas podem ser aéreas, por meio de passe, ou terrestres, por meio de corrida. O campo total é constituído por cem jardas, cada qual medindo 0,914 metros de distância, e cada time é composto por três equipes: uma de ataque, de característica ofensiva, que possuí a posse da bola; uma de defesa, cujo a característica é barrar os avanços do adversário; e os especialistas , que entram na partida em situações específicas de jogo. O ataque deve mover a bola por, ao menos, dez jardas em quatro downs, para manter a posse da bola e, se conseguir, o time ganha uma nova série de downs. Caso contrário, a posse da bola passa para o time adversário e o mesmo ocorre se a defesa barrar o ataque em uma das jogadas.
O esporte é de origem estadunidense, datado da década de 1860, com aspirações no rugby football e no association football, através do contato de jovens norte-americanos, oriundos de famílias ricas, com os esportes na Inglaterra (ESPN, 2016). Com a imigração dos dois esportes ingleses para os Estados Unidos, tanto o jogo com as mãos e a bola oval, quanto o jogo com os pés e a bola redonda, mas principalmente o primeiro, popularizaram-se nas universidades norte-americanas, e propagaram-se para escolas e clubes nacionais.
Segundo Funk (2008), a primeira partida de futebol americano aconteceu em 6 de novembro de 1869, entre as universidades de Rugters e Princeton, seguindo regras modificadas da London Futball Association (NFL, 2013). Em 1876, é sistematizado o American Football ou Futebol Americano, por meio de representantes das universidades de Princeton, Harvard e Columbia (ESPN, 2016), com a efinição das primeiras regras da modalidade, divulgadas na Convenção de Massasoit (NFL, 2013). A partir de então, Walter Camp, ex-jogador e treinador da equipe da universidade de Yale, considerado o “pai” do futebol americano, destacou-se por propor a modificação de regras, como a redução do número de jogadores de 15 para 11 em cada time, assim como definição das dimensões do campo e acréscimo do sistema de downs (RODRIGUES et al., 2015). Segundo Funk (2008), na década de 1880 também foram acrescentados os pontos por chutes.
Não há registros específicos sobre o momento em que o futebol americano masculino começou a se desenvolver no Brasil. No entanto, relatos de dirigentes de times brasileiros apontam o início do esporte como uma brincadeira entre amigos (PONS, 2013: 63-19), como é o caso dos estados do Rio de Janeiro em 1986, Santa Catarina e São Paulo em 1988, e segundo Rodrigues et al (2015) o Cuiabá Arsenal, em 2002. De acordo com Pons (2013: 83), o cenário nacional do FA se desenvolveu a partir da ocorrência das partidas full pads, sendo que a primeira partida oficial ocorre na cidade de Curitiba em 28 de outubro de 2008, entre os times Curitiba Brown Spiders (hoje Brown Spiders FA) e Barigui Crocodiles (atualmente Coritiba Crocodiles).
Em decorrência da propagação do esporte em foco por diferentes países, dado o contexto globalizado, concordamos com Rodrigues et al (2015) acerca de o FA hoje ser praticado em diferentes regiões do Brasil, em especial na categoria masculina, baseado nas origens norte-americanas. Portanto, nosso objetivo é analisar o processo de inserção e desenvolvimento do futebol americano na cidade de Curitiba/PR, por meio da análise da constituição organizacional da equipe local Brown Spiders.
Nos períodos mais próximos à sua origem, a prática do FA era constituída essencialmente por corridas e passes laterais, sem equipamentos de proteção, o que causou graves lesões e, em alguns jogos, falecimentos. Em 1905, como consequência desses casos, o presidente dos Estados Unidos no período, Theodore Roosevelt, ameaçou banir a modalidade caso medidas de proteção sobre jogadas violentas não fossem sistematizadas. Desse modo, foram instituídas regras de segurança, com a utilização de equipamentos protetores, a inclusão do foward pass (passe para frente), e, de acordo com Funk (2008), a oficialização, em 1912, dos pontos por touchdown. Essas modificações tornaram o jogo mais dinâmico, ocupando mais espaços do campo e atraindo público cada vez maior para o FA.
Em 1920, devido à popularidade que prática do FA atingiu nos Estados Unidos, foi criada a American Professional Football Conference, que dois anos mais tarde tornou-se a National Football League (NFL), atualmente, a liga mais importante do futebol americano nos Estados Unidos (ESPN, 2016). A efemeridade circundou os times fundadores da liga, com o surgimento e desaparecimento de inúmeras equipes nas primeiras temporadas do esporte, principalmente devido a déficits financeiros. Na década de 1930, a NFL estipula uma reestruturação administrativa, extinguindo definitivamente times e menor expressão (ESPN, 2016). No mesmo período, é instituído o draft universitário , perspectiva de recrutamento de atletas referência e base formativa do esporte, em vigor em 2017 .
De acordo com as regras da NFL, a partida de FA tem a duração de 60 minutos, subdivididos em 4 quartos de 15 minutos. De acordo com Rodrigues et al (2015:229):

A equipe de ataque tem 40 segundos para começar uma jogada, desde o rudle (roda para escolha da estratégia da jogada) até a saída da bola com o snap (entrega da bola do jogador chamado center para o quarterback) e quatro chances para o alcance de dez jardas (first down). A marcação do touchdown (seis pontos) é feita quando o jogador entra com a bola na endzone, zona final do campo. Para cada touchdown o ataque tem direito a um chute de conversão de um ponto e caso em uma quarta descida, o ataque esteja próximo da endzone adversária, pode tentar também o field goal, chute que vale três pontos. Os jogadores devem estar equipados com protetores de joelhos, capacetes, protetor bucal, protetores de ombros (shoulder pads), protetores de quadril, cóccix e protetores de coxas.

Atualmente, em 2017, a NFL é composta por 32 times e, segundo uma pesquisa realizada pela empresa Harris Interactive, em janeiro de 2014, o futebol americano profissional se estabeleceu, pelo trigésimo ano seguido, como o esporte preferido dos moradores dos Estados Unidos, seguido pelo beisebol e o futebol americano universitário (EXTRATIME UOL, 2014). Segundo a ESPN (2016) o espaço publicitário do Super Bowl, se configura como o mais caro do mundo, uma vez que diferentes marcas chegaram a pagar US$ 3 milhões por anúncio, “com quase 200 milhões de espectadores no mundo todo, o Super Bowl só perde em audiência para a final da UEFA Champions League” (ESPN, 2016).

Metodologia

O percurso metodológico seguiu a perspectiva exploratória, uma vez que ela possibilita a aproximação com temáticas pouco discutidas/analisadas (RODRIGUES et al., 2015), assim como geralmente assume a forma de um estudo de caso, gerada por seu caráter específico (GIL, 2008). Complementarmente utilizar-se-á como aporte metodológico os preceitos teóricos campo, habitus e capital, do sociólogo Pierre Bourdieu .
Poucas são as abordagens qualitativas que tem por temática o futebol americano no campo acadêmico brasileiro. Em breve pesquisa, encontramos os estudos de Pons (2013) e Rodrigues et al (2015), ambos alocados em áreas de concentração distintas do campo da Educação Física, sendo elas Administração e Ciências Sociais, respectivamente.
A intenção inicial da pesquisa era abarcar informações sobre a constituição do habitus do futebol americano em Curitiba, porém o período de realização de coleta de dados (junho de 2016) possibilitou que somente a equipe Brown Spiders FA auxiliasse no processo, devido ao calendário coincidir com a final do campeonato paranaense de futebol americano. Diante disso, optamos por restringir nossa temática à equipe citada, para compreensão do desenvolvimento da mesma em Curitiba.
Os dados foram coletados por meio de entrevista com o presidente da equipe curitibana Brown Spiders FA, devido sua atuação como gestor e disponibilidade para colaborar com o estudo. A entrevista, realizada no dia 4 de junho de 2016, nas dependências do Complexo Esportivo Brown Spiders, caracterizou-se como semi-estruturada e aberta, com o intuito de que conforme o entrevistado relatasse informações, novas perguntas relacionadas seriam realizadas. Acerca da questão norteadora, desenvolvemos: “Quais informações você pode dar a respeito da inserção do futebol americano no Brasil, mas principalmente na cidade de Curitiba?”.
A critério complementar da coleta de dados, foram utilizadas informações disponíveis no site oficial da equipe, para compreensão da história do FA na cidade de Curitiba e o desenvolvimento do time, assim como o site da Federação Paranaense de Futebol Americano (FPFA), para delinear a organização da modalidade no estado do Paraná . Também foi utilizada uma página de uma rede social de relacionamentos, gerenciada pela Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), para apropriação do FA no cenário brasileiro.

O cenário do futebol americano brasileiro

A década de 1950 é expressiva para a modalidade nos Estados Unidos, uma vez que as partidas começaram a ser transmitidas pela televisão, pois até então o beisebol era o esporte de preferência nacional e de audiência no país (ESPN, 2016). No entanto, é em 1993 que o FA se configura como um espetáculo esportivo, por meio da transformação da partida final da temporada, o Super Bowl, em um show, com a participação de artistas famosos, dos quais o primeiro convidado foi Michael Jackson (NFL, 2013).
Tal visibilidade estabelecida pelas partidas de FA influencia outros países, inclusive o Brasil. Pons (2013: 75), aponta que três elementos foram importantes para o desenvolvimento do FA no Brasil: 1°) a transmissão televisiva do esporte, com destaque para a rede de televisão Bandeirantes; 2°) as pessoas interessadas, que viajavam aos Estados Unidos e traziam equipamentos, bem como informações sobre o esporte; e 3°) a internet, que possibilitou a aproximação entre pessoas que tinham interesse pela modalidade, discussões sobre o esporte, estruturação de campeonatos, entre outros.
Com o intuito de desenvolver a modalidade no país e promover a integração entre as pessoas interessadas no esporte, numa perspectiva mais competitiva, é desenvolvido o “Torneio Touchdown”, que ocorre entre 2009 e 2015, em parceria com André José Adler nas três primeiras edições. No entanto, no ano de 2016 o campeonato foi cancelado.
Outra instituição promotora do FA no país foi a Associação Brasileira de Futebol Americano (AFAB), fundada em 2000, cuja responsabilidade era organizar o Campeonato Brasileiro de FA. Em 2013, a AFAB é substituída pela Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), que é responsável pelas modalidades de flag football , praticado pela categoria feminina, e beach football , além do campeonato nacional e da seleção brasileira de futebol americano. A confederação, filiada à Federação Internacional de Futebol Americano (IFAF), incorporou a Liga Nordestina de Futebol Americano (LINEFA) e, em 2016, acoplou as equipes que integravam o Torneio Touchdown, após sua extinção.
Em 2016, a Superliga Nacional de Futebol Americano, ou seja, a primeira divisão do esporte, organizada pela CBFA, assemelha-se, em sua estrutura, as competições internacionais da modalidade, principalmente de acordo com o modelo estadunidense. Compreende, de acordo com a especificidade nacional, 31 equipes, divididas em quatro conferências de acordo com as regiões do país: nordeste, oeste, leste e sul. Na temporada cada equipe participa de 6 partidas, com 16 equipes que passam para a próxima fase. Das oitavas de final até o Brasil Bowl (partida final da temporada), as partidas são eliminatórias, sendo assim, definidas a cada jogo.
Segundo a ESPN, a audiência do FA no Brasil aumentou em 800% nos últimos anos – 2013,2014,2015 (O GLOBO, 26 de janeiro de 2016). De acordo com Rodrigues et al (2015: 230), “o canal registrou no país uma média de 123 mil telespectadores por jogo na temporada 2013/14, disputada entre setembro e janeiro, contra 53 mil na edição de 2012/13. Em um ano, o público cresceu 132%”. Segundo a CBFA (4 de fevereiro, 2017), baseada em pesquisa realizada pelo IBOPE Repucom, os “fãs de futebol americano, esporte que mais cresce no país, aumentaram 26% e já somam mais de 15 milhões, atraindo um público formado por jovens e com predominância masculina”.
Mesmo com os avanços do esporte no cenário nacional, como é demonstrado por Rodrigues et al (2015), os clubes não possuem autonomia total, de modo que gastos com equipamentos, deslocamentos para treinos e jogos em outras cidades, são custeados pelos atletas das equipes em sua maioria, configurando o processo de desenvolvimento em que a modalidade se encontra, pois, existem equipes já atuando numa perspectiva profissional, como é o caso do Cuiabá Arsenal do Mato Grosso, e outras atuando na perspectiva amadora, como o caso do Brown Spiders FA do Paraná. Segundo Marchi Jr. (2015):

O esporte é compreendido como um fenômeno processual físico, social, econômico e cultural, construído dinâmica e historicamente, presente na maioria dos povos e culturas intercontinentais, independentemente da nacionalidade, língua, cor, credo,posição social, gênero ou idade, e que na contemporaneidade tem se popularizado globalmente e redimensionado seu sentido pelas lógicas contextuais dos processos de mercantilização, profissionalização e espetacularização. (MARCHI JR, 2015: 59, negrito do autor)

No estado do Paraná, o esporte é organizado pela Federação Paranaense de Futebol Americano (FPFA), que teve início no ano de 2009 e desde então realiza o Campeonato Paranaense da modalidade. Em 2016, a federação contava com oito times federados, dentre estes times quatro estavam inseridos na cidade de Curitiba, sendo eles: Coritiba Crocodiles, Paraná HP, Brown Spiders e Curitiba Guardian Saints; e os demais em outras cidades do estado, os quais: Foz do Iguaçu Black Sharks, Londrina BristleBacks, Maringá Pyros, e Norte Paraná (na cidade de Cambé/PR). Dessa forma, também entendemos que os times estão alocados em cidades que possuem uma economia territorial considerável (IPARDES), o que possibilitaria a compra de equipamentos, a contratação de técnicos norte-americanos, investimentos em locais de treinamento, entre outras características consideradas importantes para o desenvolvimento positivo da modalidade.

A equipe Brown Spiders

A equipe Brown Spiders FA, sediada em Curitiba, foi criada no ano de 2007, quando um grupo de amigos se uniu para treinar e posteriormente se equiparam. Como apresentado anteriormente, em outubro de 2008, a equipe realizou seu primeiro jogo fullpads contra o Barigui Crocodiles (atual Coritiba Crocodiles). Segundo o entrevistado, presidente da equipe Brown Spiders o relacionamento entre as duas equipes é positivo, pois “É nosso coirmão, foi com eles que a gente surgiu também”. Desde então o time estabeleceu rotinas de treinamentos e participação em campeonatos regionais e nacionais, ampliando suas atividades por meio da organização do conjunto e estruturação de equipe administrativa .
Em 2014, a equipe passou por uma fusão com o time UFPR Legends, se tornando UFPR Browns Spiders, porém a parceria foi destituída devido aos interesses das equipes e, em 2017, a nomenclatura oficial da equipe passou a ser Brown Spiders FA. Em 2015, a equipe locou um complexo esportivo acoplado ao estádio de futebol Pinheirão, onde realiza os seus treinamentos e possibilita a locação do campo para jogos de outras equipes da cidade e a realização de jogos federados. Conseguir um local para treinamento é uma das maiores dificuldades dos times de FA, tal como relata o entrevistado:

[…] Em Curitiba todos os times têm dificuldade com campo… campo pra treino, todo mundo procura um parque. Tanto que praticamente todos os times […] todo mundo têm um parque. A gente conseguir uma estrutura dessas [complexo esportivo do time] é gratificante, pela luta que todos os times estão tendo (ENTREVISTADO, 2016).

Tal fator, não gera investimentos significativos nas equipes existentes e, em decorrência, os espaços públicos se apresentam como uma alternativa viável de local para a realização de treinamentos e jogos. Outro ponto de obstrução à obtenção de espaços de treinamento é dificuldade das equipes em locar campo, mesmo que para a realização de jogos, pelo receio por parte dos proprietários de malefícios ao gramado. Dessa forma, o Brown Spiders é o único time curitibano que possuí complexo esportivo próprio da equipe.
A equipe Brown Spiders funciona como uma associação, onde os atletas pagam uma taxa mensal para praticar o esporte e competir, cobrindo gastos do local. Desse modo, percebemos a atitude colaborativa e organizacional do grupo, para que o time possa se desenvolver e figurar no cenário local e nacional da modalidade. A equipe também conta com alguns patrocínios que auxiliam nesse processo de desenvolvimento, por meio de concessão de espaços para treinamento técnico e tático dos jogadores ou fornecimento de recursos necessários para a realização de partidas oficiais e amistosos.
Porém, mesmo com os progressos empreendidos pelo grupo, como a estrutura física e administrativa, ou a obtenção de patrocínios já estabelecidos, o Brown Spiders configura-se como equipe amadora, como aponta o presidente do time em entrevista realizada, pois os atletas não podem se dedicar integralmente ao esporte, uma vez que devem atuar em outras profissões como meio de rendimento financeiro. Além disso, até a temporada de 2016, não havia patrocinador que financiasse economicamente os atletas, o que gera um retardamento sobre o processo de profissionalização no esporte em Curitiba e no Brasil, pois ainda são raros os casos de times profissionais como o Cuiabá Arsenal, de Mato Grosso.
O Brown Spiders FA atualmente possuí a categoria masculina que está ativa desde a criação da equipe , somando o grupo de Cheerleaders , composto apenas por meninas, que participa dos jogos da equipe realizando a animação da torcida. O time também possuí o departamento de multimídia, que sempre divulga as ações da equipe nos campeonatos e festividades, e o departamento Care, que realiza ações sociais, como doação de sangue por parte dos atletas e filiados, arrecadação de alimentos, livros e agasalhos. Tais características organizacionais demonstram a influência do modelo estadunidense de estruturação da modalidade e como se dá a tentativa de sistematização do FA no cenário brasileiro.
Segundo o presidente, a equipe tem essa preocupação social, promovendo o complexo esportivo Brown Spiders como um local familiar, onde as famílias possam levar seus filhos e amigos sem se preocupar com qualquer manifestação de violência, além de ressaltar que as torcidas sentam juntas nas arquibancadas, sem a separação entre as equipes que se enfrentam.

A constituição do futebol americano em Curitiba

O Coritiba Crocodiles, sediado em Curitiba, teve sua criação no ano de 2003 com o nome “Barigui Crocodiles”, pois treinavam no Parque Barigui, espaço em que, segundo rumores locais, habita um jacaré, do idioma inglês crocodile, originando o nome da equipe. Posteriormente o time fez uma parceria com a equipe de futebol Coritiba Futebol Clube passando a se chamar Coritiba Crocodiles, ainda em vigor em 2017. A equipe é considerada emblemática no Brasil, dado a conquista de títulos paranaenses consecutivos e dois títulos brasileiros (CORITIBA CROCODILES, 2016). Já o time Curitiba Guardian Saints, criado em 2011, competiu na categoria offpads em seus dois primeiros anos de atuação na modalidade e, a partir de 2012, começou a jogar a categoria fullpads, filiando-se a FPFA em 2013, o que proporcionou a sua primeira participação no campeonato Paranaense (CURITIBA GUARDIAN SAINTS, 2016). Já a equipe Paraná HP, tem sua criação em 2013, a partir da fusão entre os times Curitiba Predadores, criado em 2010, e Hurricanes criado em 2006 (HP, 2016).
Dado o quadro atual do FA em Curitiba, partimos para uma reflexão sociológica desse contexto, utilizando os conceitos de campo, habitus e capital do sociólogo Pierre Bourdieu. Após a análise realizada, alguns dados constatados se tornam importantes para uma melhor compreensão do FA curitibano como um subcampo alocado no campo esportivo.
O Brow Spiders treina em uma estrutura que até então era ocupada por um time de futebol, algo que é recorrente para várias equipes no Brasil, que não têm um espaço próprio para treinamento e, por vezes dependem de negociações com outras instituições para conseguirem um local aonde possam treinar e principalmente realizar seus jogos e competições.
O empenho empregado pelos agentes desse subcampo faz com que a modalidade apresente uma rápida ascensão em Curitiba, sendo possível evidenciar esse processo como resultante do modo de organização dos agentes envolvidos, a exemplo o primeiro jogo fullpads, que buscam estabelecer parcerias, por meio do empréstimo de materiais e locais para realização dos jogos. Um segundo exemplo a ser ressaltado acerca das parcerias, é a presença da Prefeitura de Curitiba, por meio da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude, em conjunto com a FPFA e os times Brown Spiders FA, Coritiba Crocodiles e Paraná HP, que passou a promover o FA de base na cidade:

O principal objetivo do torneio é incentivar a criação e manutenção de equipes de base nos clubes, revelando novos jogadores e apresentando o esporte para mais pessoas […] Agradecemos muito o apoio da Prefeitura e tenho certeza que essa é a primeira de muitas ações que realizaremos em conjunto para fortalecer o Futebol Americano em Curitiba (JACKSON BARTNIK, in BEM PARANÁ ESPORTES, 2017, s.p.).

Outro exemplo, o Paraná Bowl de 2016, cuja final foi disputada no complexo esportivo do Brown Spiders, equipe que foi eliminada na semifinal pelo Coritiba Crocodiles.

Todo campo social, seja o campo cientifico, seja o campo artístico, o campo burocrático ou o campo político, tende a obter daqueles que nele entram essa relação com o campo que chamo de illusio. Eles podem querer inverter as relações de força no campo, nelas, por isso mesma, reconhecem os alvos, não são indiferentes. Querer fazer a revolução em um campo e concordar com o essencial do que é tacitamente exigido por esse campo, a saber, que ele é importante, que o que está em jogo aí e tão importante a ponto de se desejar aí fazer a revolução (BOURDIEU, 2008: 140).

O FA em Curitiba, sobre tudo no Brasil possuí algumas peculiaridades. Os treinos de muitas equipes são ministrados em inglês, por um coach norte-americano, dado a pouca difusão de conhecimentos técnicos e táticos específicos da modalidade, em âmbito nacional. Isto exige dos atletas determinado nível de capital cultural para se posicionarem neste subcampo, algo que também acontece com a equipe do Cuiabá Arsenal (RODRIGUES et al., 2015). Diante disso, compreendemos que os jogadores devem estar alocados em determinadas classes sociais, as mais elevadas, como classe média alta, uma vez que necessitam ter acesso prévio aos conhecimentos e recursos necessários à inserção e permanência na modalidade.
Outro capital bastante evidente nesse contexto é o econômico, pois os atletas devem poder custear individualmente a aquisição de equipamentos para participação nas competições organizadas pela FPFA e demais competições oficiais realizadas no país. Bem como para se conhecer o esporte pelos meios midiáticos, já que as transmissões da liga norte-americana, NFL, são exibidas no Brasil, somente através da rede de televisão fechada.

Portanto, tudo permite supor que a probabilidade de praticar os diferentes esportes depende, em graus diversos para cada esporte, do capital econômico e, de forma secundária, do capital cultural e do tempo livre; isto por intermédio da afinidade que se estabelece entre as disposições éticas e estéticas associadas a uma posição determinada no espaço social e os lucros que em função destas disposições parecem prometidos para os diferentes esportes (BOURDIEU, 1983: 192).

Sendo assim, percebesse que pelo quadro apresentado em 2016, considerando as dinâmicas presentes no subcampo do FA em Curitiba e os capitais cujo os agentes desse subcampo são portadores, nota-se a constituição de um habitus de distinção daqueles que adentram a esse espaço, ou por já possuí-lo ou por incorporá-lo. “Assim como as posições das quais são o produto, os habitus são diferenciados; mas são também diferenciadores. Distintos, distinguidos, eles são também operadores de distinções” (BOURDIEU, 2008: 22). Sobre uma perspectiva global, o autor aponta:

Basta pensar por exemplo em tudo aquilo em que implica o fato de que um esporte
como o rugby (o mesmo é verdadeiro para o futebol americano nos Estados Unidos)
tenha se tornado, por intermédio da televisão, um espetáculo de massa, difundido bem
além do círculo de “praticantes” atuais ou passados, isto é, para um público que possui
de maneira bastante imperfeita a competência específica necessária para decifrá-lo
adequadamente: o ”’conhecedor” dispõe de esquemas de percepção e de apreciação
que lhe permitem ver o que o leigo não vê, de perceber uma necessidade onde o
simplório vê apenas violência e confusão e, consequentemente, de achar na prontidão
de um gesto, na imprevisível necessidade de uma combinação bem sucedida ou na
orquestração quase miraculosa de um movimento de conjunto, um prazer que não é
menos intenso ou menos conhecedor do que aquele que uma execução
particularmente bem sucedida de uma obra familiar proporciona a um melômano;
quanto mais superficial e cega for a percepção a todos estes requintes, estas nuances,
estas sutilezas, menos ela encontra seu prazer no espetáculo contemplado em si
mesmo e para si mesmo, e mais está exposta à busca do “sensacional”, ao culto da
proeza (BOURDIEU, 1983: 192).

Esse quadro se confirma na realidade de diversas equipes paranaenses, sobretudo no contexto analisado do Brown Spiders, que tem em sua comissão técnica profissionais que ministram seus treinos em inglês. Com a ampla ascensão da modalidade, nos últimos anos o caráter de amador que se dedica muito a uma determinada atividade, quase como um profissional, começa a se perder em algumas localidades, dado alguns aspectos de distinção que se configuram na atualidade, demostram como a constituição progressiva de um campo relativamente autônomo reservado a profissionais é acompanhada de uma despossessão dos leigos, pouco a pouco reduzidos ao papel de espectadores (BOURDIEU, 2004).
A busca por maior representatividade no cenário nacional, o apoio dos patrocinadores, o estabelecimento de um complexo esportivo próprio, testes para compor a equipe, cobrança de ingressos para entrar nas partidas, entre outros fatores, delimitam as ações para desenvolvimento e avanço da equipe de FA Brown Spiders, assim como demais times da cidade de Curitiba, com o intuito de buscar aproximar-se um pouco mais do que podemos considerar um estágio do desenvolvimento esportivo, a profissionalização, como no caso da equipe do Cuiabá Arsenal.

Considerações Finais

O futebol americano no Brasil carece de fontes científicas relacionadas quando abordamos aspectos sociológicos dirigidos à prática, o que motivou o desenvolvimento do presente artigo. Mesmo assim, constatou-se que o esporte se encontra em franca expansão no cenário brasileiro e curitibano, por meio da ação dos agentes envolvidos nesse subcampo, bem como o crescente percentual de audiência televisiva relacionado à modalidade.
No Paraná, a maior parte das equipes de FA localizam-se em Curitiba, tendo como sede de treinamento os parques da cidade. Portanto, que a equipe curitibana Brown Spiders, aqui pontuada, constitui-se como pioneira no cenário regional e nacional, assim como a equipe Coritiba Crocodiles, buscando atuar sobre este subcampo esportivo de modo semelhante às equipes norte-americanas, por meio de ações sociais e constituição das Cheerleaders. Destaca-se também, a integração promovida pelo Brown Spiders com demais equipes da cidade, como por exemplo através do empréstimo do complexo esportivo para ser sede de jogos.
Podemos notar, que as equipes de FA aqui mencionadas, surgem e formam parcerias no intuito de permanecerem no cenário local da modalidade ou mesmo estabelecerem-se como referências nacionais, como o caso do Coritiba Crocodiles e do Brown Spiders. No entanto, tais parcerias têm se apresentado como efêmeras na maioria dos casos, podendo levar à extinção de equipes, tal como ocorreu após a NFL eliminar equipes de menor porte estrutural do campeonato nacional americano.
Desse modo, Curitiba é considerada como relevante no desenvolvimento do FA no Brasil, constituindo-se como um sub-campo da modalidade, bem como a organização dirigida pela FPFA, como suscitado pelo entrevistado, o presidente da equipe Brown Spiders FA. No entanto, a organização municipal da modalidade, assim como da equipe aqui pontuada, encontra-se no nível amador, uma vez que não há a possibilidade de auto sustentação da equipe, dos jogadores atuarem integralmente para o esporte e dos altos custos que envolvem a prática, mesmo que os agentes busquem uma aproximação do estágio profissional.
Dado o espaço que nos resta, consideramos, portanto, que os aspectos do FA aqui abordados,
elucidam um avanço sobre “as primeiras dez jardas”, em comparação com a modalidade, uma vez que
há necessidade de maior mobilização de capitais cultural e econômico dos agentes envolvidos, pois a
estruturação das equipes nacionais segue o modelo dos Estados Unidos, para desenvolvimento da
modalidade, aproximando-a dos estágios da profissionalização e posterior espetacularização da
modalidade no Brasil, assim como aponta Marchi Jr. (2015).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. BOURDIEU, P. (1983). Questões de sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero.
  2. ____________. (2004). Coisas Ditas. São Paulo: Brasiliense.
  3. ____________. (2008). Razões Práticas: sobre a teoria da ação. 9. ed. São Paulo: Papirus.
  4. BEM PARANÁ. Curitiba cria centro de referência do futebol americano. 2017. Disponível em: < http://www.bemparana.com.br/noticia/486731/curitiba-cria-centro-de-referencia-do-futebolamericano>.
    Acesso em 06 de fevereiro de 2017.
  5. BROWN SPIDERS. (2016). Time. Disponível em: http://www.brownspiders.com.br/time/cheerleaders/. Acesso em 14 de julho de 2016.
  6. CORITIBA CROCODILES. (2016). Futebol americano no Brasil. Disponível em: < http://www.coritibacrocodiles.com.br/futebol-americano-no-brasil/>. Acesso em 14 de julho de 2016.
    ______. (2016). Historia. Disponível em: <http://www.coritibacrocodiles.com.br/historia/>. Acesso em 26 de julho de 2016.
  7. CURITIBA GUARDIAN SAINTS. (2016). Historia. Disponível em: <http://www.guardiansaints.com.br/historia/>. Acesso em 26 de julho de 2016.
  8. ELIAS, N.; DUNNING, E. (1992). A busca da excitação. Lisboa: Difel.
    ESPN. (2016). Guia Futebol Americano. Disponível em: < http://espn.uol.com.br/infografico/guiafutebolamericano/ahistoriadanfl/>. Acesso em: 14 de julho de 2016.
  9. EXTRATIME UOL. (2014). Pesquisa: NFL continua a liga mais popular, NBA segue atrás da Nascar. 26 de janeiro de 2014. Disponível em: < http://extratime.uol.com.br/nfl-continua-como-o-esporte-preferido-dos-americanos-segundo-pesquisa-da-harris-interactive/>. Acesso em 06 de julho de 2016.
  10. FACEBOOK. (2016). Confederação Brasileira de Futebol Americano. Disponível em: <https://www.facebook.com/CBFA.oficial/>. Acesso em:06 d fevereiro de 2017.
  11. FEDERAÇÃO PARANAENSE DE FUTEBOL AMERICANO. (2016). Equipes. Disponível em: < http://fpfa.com.br/site/>. Acesso em 14 de julho de 2016.
  12. FUTEBOL AMERICANO BRASIL (FABR). (2016). Direção do Torneio Touchdown anuncia o encerramento da temporada 2016. 16 de março de 2016. Disponível em: <http://futebolamericanobrasil.com/direcao-do-torneio-touchdown-anuncia-o-encerramento-da-temporada-de-2016/>. Acesso em 14 de julho de 2016.
  13. GIL, A. C. (2008). Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas.
  14. HP. (2016). Historia. Disponível em: <http://paranahp.com.br/historia/>. Acesso em 26 de julho de 2016.
  15. IPARDES. (2016). Paraná em números. Disponível em: <http://www.ipardes.gov.br/index.php?pg_conteudo=1&cod_conteudo=1>. Acesso em 26 de julho de 2016.
  16. MAP of Sports. (2015). NFL Draft 2015: Entenda como funciona. 27 de abril de 2015. Disponível em: <http://www.mapofsports.com/2015/04/27/nfl-draft-2015-entenda-como-funciona/>. Acesso em 26 de julho de 2016.
  17. MARCHI JR, W. (2015). O Esporte “Em Cena”: perspectivas históricas e interpretações conceituais para a construção de um Modelo Analítico. Revista Alesde. v. 5. n. 1. p. 46-67.
  18. NFL. (2013). História Cronológica da NFL. 2013. Disponível em: <http://static.nfl.com/static/content/public/image/history/pdfs/History/2013/353-372-Chronology.pdf>. Acesso em 14 de julho de 2016.
  19. O GLOBO. (2016). Futebol Americano conquista coração de brasileiros e público cresce 800% na TV. 26 de janeiro de 2016. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/futebol-americano-conquista-coracao-de-brasileiros-publico-cresce-800-na-tv-15137391>. Acesso em: 14 de julho de 2016.
  20. PONS, R. V. S. (2013). Futebol Americano no Brasil: Um estudo com inspiração etnográfica sobre as práticas de consumo. Rio de Janeiro: Instituto COPPEAD de Administração, Universidade Federal do Rio de Janeiro (Dissertação de Mestrado).
  21. RODRIGUES, F. X.F.; et al. (2015). Futebol Americano no país do futebol: o caso do Cuiabá Arsenal. Revista Barbarói. v. 2. n. 41. p. 227-247.
  22. TERRA. (2016). Brasil vê ‘boom’ de praticantes e fãs do futebol americano. 7 de fevereiro de 2016. Disponível em: <http://esportes.terra.com.br/futebol-americano/futebol-americano-cresce-em-audiencia-e-praticantes-no-brasil,adce1c28a4cccee56a647b96fd75100bo1whpde3.html>. Acesso em: 14 de julho de 2016.
  23. TOUCHDOWN. (2016). Um Campeonato Brasileiro de Futebol Americano. Disponível em: <http://www.touchdown.com.br/touchdown#.V2GTI7srLIU>. Acesso em: 14 de julho de 2016