APRESENTAÇÃO DO FLAGFOOTBALL COMO POSSIBILIDADE PEDAGÓGICA

AUTORES

Rodrigo Silva Perfeito
Mestrando em Ciências da Atividade Física (UNIVERSO)
Diretor/Fundador do Instituto de Pilates, Fisioterapia e Educação (FisArt)
[email protected]
Carlos Alberto Soares Sequeira Junior
Graduado em Educação Física do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)
[email protected]
Carlos José Januario do Nascimento
Graduado em Educação Física do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)
[email protected]
Fabio Ferreira
Graduado em Educação Física do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)
[email protected]
Marcus Vinicius Ramos Horsczaruk
Graduado em Educação Física do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM)
[email protected]
Prof. Dr. Jeferson José Moebus Retondar
Coordenador do Laboratório do Imaginário Social Sobre as Atividades Corporais e Lúdicas (LISACEL/UERJ)
[email protected]

RESUMO

Trata-se de um estudo que apresenta e sugere o Flag football, jogo adaptado do Futebol Americano, como uma ferramenta pedagógica nas aulas de Educação Física Escolar, motivando a interação, trabalho em equipe e minimização das imposições de poder referentes às diferentes forças corporais e habilidades motoras. Assim, tem por objetivo refletir sobre as repercussões de sua incorporação no universo escolar. Metodologicamente, utilizou-se a abordagem qualitativa do tipo descritiva por meio da técnica de observação direta da realidade em formato etnográfico durante seis meses, a fim de descrever em um diário de campo com os dados coletados durante a aplicação do Flag football como conteúdo de ensino nas aulas de Educação Física de uma escola no estado do Rio de Janeiro. Como conclusão é possível destacar que ao trabalhar a modalidade na escola, quando de maneira consciente por parte do docente, são oportunizados ganhos relevantes no âmbito motor, da saúde e psicossocial, além de valores de vida, como o trabalho multidisciplinar, o combate à violência e a aceitação de novas culturas.
Palavras-chave: Educação Física Escolar. Flagfootbol. Violência. Inclusão social.

PRESENTATION OF EDUCATIONAL OPPORTUNITY AS FLAGFOOTBALL

ABSTRACT

This is a study that shows and suggests Flagfootball, adapted from the American Football game, as a pedagogical tool in physical education classes, encouraging interaction, teamwork and minimizing the imposition of power for the different physical strength and skills motor. Thus, aims to reflect on the consequences of its incorporation in the school universe. Methodologically, we used descriptive qualitative approach using the technique of direct observation of reality format ethnographic six months in order to describe in a diary with the data collected during the implementation of Flagfootball as content teaching in classes Physical Education to a school in the state of Rio de Janeiro. As a conclusion it is possible to highlight the work that the modality in school when consciously by the teacher, are oportunizados relevant earnings under motor, and psychosocial health, and life values , such as multidisciplinary work, combating violence and acceptance of new cultures.
Keywords: Physical Education. Flagfootbol. Violence. Inclusion.

INTRODUÇÃO

O presente estudo será iniciado ressaltando que, por se tratar de um tema relativamente novo e pouco estudado no Brasil, apesar de alguns estudos publicados como os de Bitencourt e Amorim (2005) e Arcuri (2011), faltam fontes científicas para dialogar especificamente sobre o Flagfootball ou simplesmente Flag. Assim, optou-se em discorrer também sobre sua estória, regras e acontecimentos, como uma maneira de apresentar o esporte ao leitor. Existem artigos internacionais que iniciam um esboço teórico, no entanto, se resumem a ponderar dados retirados da National Football League (NFL). Para evitar tal multiplicação desnecessária e excesso nas citações do texto, deixa-se exposto que todos os dados específicos do Flagfootball foram consultados no site oficial da Liga, contidos em NFL (2012).
Antecedendo as discussões sobre o Flagfootball é relevante discorrer sobre o esporte que lhe deu origem, o Futebol Americano. Este pode ser caracterizado como uma atividade coletiva praticada por 11 jogadores em campo por equipe, que totalizam até 40 integrantes com os reservas, objetivando marcar pontos chutando ou colocando a bola além da linha de gol sem que haja infrações descritas nas regras. O time vencedor será aquele que marcar o maior número de pontos, sendo que as substituições são ilimitadas. Já o tempo de jogo é de sessenta minutos, divididos em quatro tempos de quinze minutos, com as equipes trocando de lado no final do primeiro e terceiro quartos, sem que aconteçam novas saídas. O intervalo entre os quartos também são de quinze minutos (TUBINO; TUBINO; GARRIDO, 2007).
A dinâmica do jogo transcorre com um time atacando e outro defendendo. As equipes possuem jogadores ofensivos e defensivos, além de formações especiais para as várias jogadas. Tem seu início sobre ou entre as linhas interiores a partir de um tiro livre executado com um chute da linha de 31,99 metros (trinta e cinco jardas) no começo de cada tempo (quarto), após um gol de campo, de uma tentativa de ponto extra ou com um chute da linha de 18,28 metros (vinte jardas) e após um safety, em que a bola é impulsionada pelo próprio time que a possui através da linha de gol (QUARRIE et al., 2001).
O objetivo principal do Futebol Americano é marcar o touchdown, que vale seis pontos e é obtido quando um atacante invade a linha de fundo (end zone) do adversário com a bola ou recebe um passe nessa área. A equipe de ataque tem quatro tentativas para cruzar dez jardas e chegar à zona final, caso contrário, perde a posse da bola. Já a defensiva tenta evitar a progressão da equipe atacante, que por sua vez, procura alcançar a linha de fundo. A obtenção do touchdown garante à equipe atacante o direito ao extra-point, que vale um ponto. No extra-point a bola é colocada a duas jardas e é segura no chão com as mãos para que um especialista chute por cima do Y (GISSANE et al., 2002).
É um jogo de força e estratégia, trabalhando o ganho de território adversário. Em se tratando de equipamentos, cada jogador utiliza capacete, chuteiras, protetores de rins, joelhos e braços. Já o campo de jogo tem no seu comprimento às zonas finais (endzone) 9,14 metros (dez jardas). Elas são as áreas onde os pontos são marcados. No campo existem faixas paralelas de cinco jardas, num total de 91,40 metros de comprimento e 46 metros de largura. Quando uma equipe faz pontos, a bola é reposta executando um free kick (EAVES; HUGHES; LAMB, 2005).
Após dados sucintos sobre o Futebol Americano, fazem-se possíveis informações sobre a modalidade que se está a estudar: o Flagfootball. Este se estrutura como uma variante do primeiro, jogado sem a costumeira vitalidade e confronto corporal entre os jogadores, mas com o mesmo objetivo: marcar touchdown. Este é considerado o gol do Futebol Americano e ocorre quando um jogador cruza a linha de fundo (end zone) da equipe adversária carregando ou recebendo um passe (DACOSTA, 2005).

No Flag, para evitar que o adversário marque o touchdown, basta puxar uma das fitas (flags) que são presas à cintura de cada jogador num cinto próprio. O árbitro paralisa a jogada no local onde ocorreu a retirada da fita e a bola é recolocada no local onde se interrompeu a jogada, para que se possa oferecer o reinicio do jogo.
Uma das vantagens do Flagfotball é poder utilizar todas as estratégias do Futebol Americano sem que haja o risco de se machucar. Portanto, os longos passes, as corridas e as sensacionais jogadas em que os jogadores correm fingindo estar com a bola, são frequentemente utilizadas e valorizadas, já que o confronto corporal é evitado.
Assim como no Futebol Americano, é preciso combinar a tática antes, pois, se um dos jogadores não estiver na posição previamente combinada, a jogada fracassará. O formato singular de jogo, em que as equipes são obrigadas a planejar cada jogada – sob pena de não conseguirem avançar em campo – favorece um intenso relacionamento entre os jogadores que, em conjunto, irão decidir o melhor caminha a se traçar.
No Brasil, a modalidade Flag tem se expandido com destaques nas escolas de São Paulo e nas praias do Rio de Janeiro, produzindo significados peculiares de adaptação cultural aos praticantes. Vale ressaltar que campeonatos infantis também são organizados pela NFL, porém, apenas são disputados nos países da América do Norte. O último campeonato – nesta categoria, crianças até 15 anos – foi realizado no México em 2009 e contou com a participação dos Estados Unidos, Canadá, México, Coréia, Áustria, Austrália, Tailândia, Japão, Alemanha e Holanda (ROSENTHAL, 2012). Nota-se ainda que, ultimamente, o esporte tem crescido muito no Brasil e provavelmente daqui a alguns anos o país acompanhará a tendência internacional participando de campeonatos nacionais e internacionais.
Além de um esporte, pode ainda ser considerado ferramenta educacional, já que os Parâmetros Curriculares Nacionais afirmam que a Educação Física objetiva: […] desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança e suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania; e também conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à saúde e a saúde coletiva (BRASIL, 1997, p. 69).
Portanto, a presente proposta atende o Flagfootball como um grande auxiliar do desenvolvimento cultural e corporal no ambiente escolar devido às suas características singulares. Neste sentido, busca-se sugerir e refletir a importância da incorporação da modalidade no universo escolar. Sua relevância social se apresenta na possibilidade de implicar uma nova ferramenta de ensino/aprendizagem, aumento da cooperação interdiscentes e diminuição dos preconceitos inseridos na Educação Física Escolar, acrescentando pontos positivos no processo de formação do cidadão. No âmbito cientifico, pode ser considerado um trabalho estimulador para novas investigações, uma vez que existem poucos materiais publicados no Brasil.

HISTÓRIA DO FLAGFOOTBALL

Escolheram-se os autores assinalados para apresentação da história do Flagfootball devido ao seu texto de grande valia publicado no Atlas do esporte no Brasil. Portanto, resolveu-se não reescrever sobre o extrato específico do assunto, uma vez que já o foi feito de maneira importante pelos autores. Vale ainda ressaltar que existem outros trabalhos, principalmente internacionais, como os contidos em NLF (2012), que tratam do assunto, no entanto, sem citar os acontecimentos em âmbito nacional. Assim, em falas dos autores, será refletido o dado capítulo.
O Flagfootball começou a se desenvolver como modalidade esportiva em bases militares americanas de forma recreativa para os soldados no início dos anos 40. Durante os anos 50, já havia ligas recreativas em várias regiões dos EUA, sendo que em 1960 surgiu a primeira liga nacional americana na cidade de St. Louis. Posteriormente o esporte consolidou-se em vários países por meio de programas, torneios e criação de ligas nacionais. No fim dos anos 90, foi fundada a Federação Internacional de Flagfootball (IFFF), que organiza como principal competição internacional a Copa do Mundo de Flagfootball. Sua primeira edição foi realizada em 2000 na cidade de Cancun, no México.
No Brasil, durante a década de 90, alguns amantes do esporte iniciaram sua prática por diversão e sem equipamento de proteção nas praias do Rio de Janeiro. Mais adiante, em 1998, formou-se uma lista de discussão online chamada Red Zone, interessada em reunir e organizar os adeptos da modalidade.
Os primeiros passos nas escolas ocorreram em 1999, com alunos do ensino fundamental da cidade de São Paulo coordenados pelos professores de Educação Física Cláudio Telesca e Paulo Arcuri. Com o aumento de praticantes e formação das primeiras equipes, foi fundada no ano 2000 a Associação Brasileira de Futebol Americano & Flag (ABRAFA; FLAG), pioneira no país na organização de torneios, cursos, palestras e programas de Flagfootball para escolas públicas. Em 2005, foi criada a Associação Paulista de Futebol Americano. No ano de 2001, o Brasil participou pela primeira vez da Copa do Mundo de Flagfootball (World Cup – Flag Football) realizada em Cocoa Beach – EUA, obtendo a 10ª colocação.
Em junho de 2001, a ABRAFA & FLAG iniciou o projeto Flag na Escola, visando difundir a prática do esporte nas escolas públicas de São Paulo(cidade e estado) e estimular a realização de campeonatos escolares. A Associação ofereceu, gratuitamente, no parque do Ibirapuera, cursos de capacitação de Flagfootball aos professores da rede pública para que pudessem ensinar a modalidade nas aulas de Educação Física de suas respectivas escolas. Foi distribuído material didático e equipamentos aos professores responsáveis pelo projeto. A excelente aceitação do Flag nesses cursos contribuiu efetivamente para a formação de ligas em diversas cidades brasileiras. Estima-se que aproximadamente 6.000 crianças já tiveram contato com esta modalidade de esporte. No Rio de Janeiro, originou-se o beach football (versão do futebol americano de praia), no qual as regras originais foram adaptadas por causa do piso diferente e pelo fato de os jogadores não utilizarem capacetes e protetores.
Já no período de 2000-2002, foram realizados campeonatos internos, bem como torneios, envolvendo a participação das escolas tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro. Nesta última, houve três campeonatos de praia sem equipamento. O Colégio Mackenzie de Tamboré-SP foi a primeira escola particular brasileira a introduzir o Flagfootball no currículo escolar com o propósito de desenvolver a qualidade do trabalho em grupo, formar turmas de treinamento e realizar competições. Com tal intento, o professor Cláudio Telesca organizou juntamente com a ABRAFA & FLAG o primeiro festival de Flag das escolas públicas de São Paulo e a primeira palestra (Meeting da Educação Física) de Flag na Faculdade UNISA, coordenada pelo Prof. Paulo Arcuri. No mesmo período, ocorreu a primeira participação brasileira na ABRAFA & FLAG e do Colégio Mackenzie Tamboré no segundo Mundial de Flag, nos EUA.
Em 2003, o evento Brasil no Mapa do Futebol Americano, promovido pela NFL, ocorreu no Rio de Janeiro e contou com a presença de Damian Silva Vaughn – jogador brasileiro de Futebol Americano e campeão do Super Bowl Tampa Bay – e de Tony Gonzalez – jogador do Kansas City Chiefs –. A NFL aproveitou a realização do Latin X-Games II para incluir oficialmente o Brasil na estratégia global de expansão internacional do esporte. No Rio de Janeiro, a praia de Botafogo e a de Copacabana tornaram-se referência dos praticantes de Flag na areia. Os profissionais da NFL entregaram um troféu para Carlos Januário, capitão da equipe do Rio de Janeiro, pela vitória do desafio X-Games Rio-São Paulo.
Após o ano de 2003, o número de praticantes aumentou ainda mais e o esporte ganhou mais força nas escolas de São Paulo, enquanto no Rio de Janeiro a modalidade Tackle (contato físico com derrubadas) era a mais praticada. No ano de 2005, foi criada no Rio de Janeiro a Associação Desportiva Copacabana Eagles (ADECE), iniciando os cuidados quanto à modalidade de Flagfootball, e que perdura até hoje.
Através de Carlos Januário – atual diretor de esporte da Federação de Futebol Americano no Rio de Janeiro – no ano de 2010 o primeiro colégio a participar de um campeonato de futebol americano na modalidade Flag nas areias da praia de Copacabana foi o Colégio da Imaculada Conceição.

POSIÇÕES DOS JOGADORES

Lançador: após receber um snap tem opção de realizar um passe ou entrega de bola em até sete segundos;
Receptor: responsável em receber um passe;
Corredor: é quem recebe uma entrega de bola;
Centro: é quem executa o snap. Só pode receber um passe além da linha de scrimmage;
Defensor: pode desviar ou interceptar um passe do ataque ou remover uma fita do atacante com a bola.
Como observado, o jogador do centro é o jogador que entrega a bola ao armador (lançador) via snap. O mesmo não pode receber uma entrega de bola direta do armador para realizar uma jogada. Já esse último será aquele que recebe a bola diretamente do snap, não podendo correr com a bola ultrapassando a linha de scrimmage(linha imaginária que separa o campo do time de defesa do de ataque). O ataque pode realizar múltiplas entregas diretas de bola, antes da linha de scrimmage.
Todos os jogadores da defesa que forem atacar o armador devem estar no mínimo a sete jardas da linha de scrimmage quando da saída da bola. Vários jogadores podem atacar o armador, e praticantes que não atacarem o armador podem defender a linha de scrimmage. Uma vez que a bola é entregue, quem se encontrar na linha de sete jardas avança até a linha de scrimmage. A marca de sete jardas pode ser identificada, através de um dos árbitros posicionado sobre ela.
O passe ou o lançamento por baixo, ambos para frente e antes da linha de scrimmage, são permitidos e são jogadas de corrida. As zonas sem corrida estão localizadas a cinco jardas na frente de cada end zone e de ambos os lados do meio de campo. Quando a bola estiver dentro da linha de cinco jardas os jogadores deverão estar dentro da end zone (área de touchdown) ou além do meio de campo para receber o passe.
O jogador que receber uma entrega de bola ou um passe lateral pode correr até ultrapassar a linha de scrimmage. Quando a bola é passada lateralmente, sendo entregue ou feita de conta que é entregue, todos os jogadores da defesa podem cruzar a linha de scrimmage e correr na direção deste que está com a bola. Contudo, deve-se esperar um dos lances citados ser executado, caso contrário, será interpretado como ataque ao armador antes das sete jardas regulamentares. Os giros feitos pelos jogadores de posse da bola são permitidos desde que não deixe os pés na direção da defesa e não faça mergulhos. Quando a flag (fita) é puxada, a bola é colocada na posição dos pés onde ela foi retirada.
Todos estão aptos a receber passes, inclusive o armador, desde que antes da linha de scrimmage. No caso do jogador central, é permitido receber a bola somente estando à frente da marcação citada. Portanto, após ter realizado o snap, não pode retornar para trás da linha de scrimmage e receber uma entrega de bola. Apenas um jogador pode se movimentar lateralmente antes do snap e todo jogador deve ter pelo menos um dos pés em contato com o solo para que a recepção seja validada.
Somente os jogadores que partirem a uma distância de sete jardas da linha de scrimmage poderão correr em direção ao armador, que por sua vez, possui sete segundos para efetuar o passe. Caso contrário, a jogada é paralisada caracterizando perda de uma das tentativas de ataque. A próxima jogada então será recomeçada com menos cinco jardas da linha de scrimmage anterior. Quando uma bola é entregue, lançada ou fingida ter sido passada, o tempo de sete segundos que o armador possui para efetuar o lançamento não é contado.
Nas interceptações troca-se a posse de bola. A defesa pode retomar a bola indo para o ataque na tentativa de marcar pontos ou ganhar o máximo de terreno possível. As interceptações que ocorrerem dentro da end zone serão iniciadas a partir da linha de cinco jardas da equipe de posse da bola. Quando uma bola interceptada é carregada para fora da end zone e a jogada é morta (parada) antes de marcar pontos, o snap deverá ser executado pela equipe que fez a interceptação no exato local onde a jogada foi interrompida. Por exemplo: caso uma bola que tenha sido carregada para fora da end zone retorne a ela novamente, e a jogada seja interrompida com a puxada da flag (fita), acarretará um safety.
Bola morta é a nomenclatura utilizada para os períodos em que a bola está parada. O momento se encerra quando no snap ela é passada por entre as pernas do jogador central para se iniciar uma jogada. É valido lembrar que as substituições somente poderão ser realizadas quando a bola estiver morta. A jogada é paralisada quando: o árbitro assoprar seu apito; a flag for puxada do jogador em posse de bola; pontos forem conquistados; parte da bola, mesmo que segura pelas mãos, tocar o solo; os joelhos do jogador em posse da bola tocar o solo; a flag de quem estiver com a bola cair, neste caso a bola será colocada no local onde a flag caiu e o jogador não poderá receber passes. Já se a bola cair no chão, deverá ser depositada no local onde o jogador a deixou cair para que se faça um novo reinício de jogada.

FUNDAMENTOS

Lançamento: empunhadura e recepção.
Na empunhadura, a maneira correta de segurar a bola é envolvê-la com os dedos polegar e indicador (forma de um C), enquanto os outros dedos se posicionam na costura. A execução do lançamento é prioritariamente por cima do ombro com o cotovelo inicialmente a noventa graus, tronco de lado e sua finalização de frente para o alvo, pois o jogador irá estender o braço soltando a bola com um leve giro de punho para oferecer força e direção à bola.
Já a recepção, que é o ato de dominar a bola vinda de um passe, é dividida em dois tipos: alta (quando acima da cabeça) ou baixa (quando vinda da linha do peito para baixo). A primeira é feita com as mãos acima da cabeça, braços estendidos, polegares e indicadores juntos formando um triângulo para encaixar a bola. A segunda é feita com as mãos para baixo e dedos mínimos e polegares abertos formando uma concha, facilitando o encaixar a bola.
Corridas e remoção da flag:
A corrida advém quando um jogador recebe a bola e corre segurando-a. Já a remoção da flag, quando algum jogador está defendendo o seu campo, retira a fita que se encontra na lateral do adversário de posse da bola.

FLAGFOOTBALL NAS ESCOLAS

Os desejos vão mudando com o tempo. E no campo da Educação Física Escolar não é diferente. Com isso, é ampla a necessidade de introduzir novos conteúdos que motivem os alunos. Surge então o Flagfootball como proposta de jogo alternativo e ainda pouco conhecido na sociedade.
Este tipo de jogo é perfeitamente aplicável no ambiente escolar, pois está de acordo com a teoria das cinco liberdades: para competir (se assim desejar), para criar (fomento da criatividade e flexibilidade nas regras do jogo), de não exclusão (não existe exclusão ou eliminação), de escolha (cada jogador e equipe escolhe suas ações) e ausência de agressão (a abordagem deve inibir a agressão física e moral) (ORLICK, 1982).
Inserido no ambiente escolar, o Flagfootball reúne características que favorecem o trabalho colaborativo entre os alunos, além de potenciar o caráter lúdico sobre o competitivo e promover respostas motoras significativas sobre uma simples aplicação técnica (RODRÍGUEZ, 2002).
A NFL, por meio de seu programa Youth Football (futebol juvenil), reconhece a importância do Flag afirmando que os alunos que o praticam estão mais bem preparados para toda fase colegial, pois a atividade inclui a diversão, o desenvolvimento de habilidades diversas e a possibilidade do incentivo acadêmico, tornando-se uma ótima opção para as crianças e adolescentes.
Já o professor Paulo Arcuri (2011) aponta o Flag como um excelente instrumento para trabalhar os valores educacionais dentro das escolas, entre eles a organização, o comprometimento, a responsabilidade e o espírito democrático: Não é necessário força nem tamanho e sim ser esperto e ágil. Meu desejo é que o FlagFootball seja difundido em escolas, clubes e de forma recreativa em praias e parques de todo o Brasil, pois somente assim o brasileiro entenderá melhor a concepção do jogo e irá consequentemente mudar a opinião de que o Football Americano é só porrada (ARCURI, 2011).
O Flagfootball dentro da escola deve seguir um processo de aprendizagem dividido em três fases: lúdica, teórica e prática. Na primeira fase são ministradas atividades práticas de caráter lúdico em pequenos grupos com objetivos de manipular e adaptar-se à bola, e jogos prédesportivos que possuam implícitos os principais fundamentos da modalidade. Na fase teórica, além das aulas explicativas com ênfase nas regras e no objetivo principal do jogo que é a marcação do touchdown (pontuação máxima), devem ser incluídos recursos audiovisuais (vídeos e fotos). Na última fase, a prática do jogo ocorre por meio de atividades coletivas com equipes mistas. A introdução do Flagfootball na escola aumenta a participação dos alunos nas aulas de Educação Física e possibilita o desenvolvimento de novas habilidades perceptivo-motoras, da cooperação com o outro e valorização das características individuais em prol do grupo (TELESCA, 2011). Portanto, se bem trabalhado, é uma ótima opção no auxílio do processo educacional e minimização da exclusão e preconceito escolar, muito estudado por Perfeito (2011a).

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo descritiva. Foi utilizada a técnica de observação direta da realidade em formato etnográfico (ANDRÉ, 2008) durante seis meses, uma vez na semana, totalizando vinte e quatro visitas, a fim de descrever em um diário de campo os dados mais significativos diante da aplicação do Flagfootball como conteúdo de ensino das aulas de Educação Física. A vivência ocorreu no Colégio da Imaculada Conceição no Rio de Janeiro-RJ, de categoria particular, por meio de estágio, em turmas do ensino médio. As aulas tinham duração de cinquenta minutos. A turma estudada continha 20 alunos, entre homens e mulheres, na faixa etária de 15 a 17 anos.
Durante as observações, foi possível levantar dados descritivos da realidade vivida em função das respostas comportamentais dos alunos aqui descritos, como sugerido por Thomas, Nelson e Silverman (2012).
Para estado da arte e revisão bibliográfica, foram consultados artigos, livros de biblioteca pessoal e sites. Para busca dos artigos, foram consultados os bancos de dados: Medline, Scielo, Pubmed e Google Acadêmico com as palavraschave: Flag e Flagfootball.

RESULTADOS

Durante as observações foi possível verificar as seguintes sugestões comportamentais:
a) receio por parte dos pais pela prática do esporte ser associada à violência (é comum a confusão e comparação entre o flagfootball e o futebol americano tradicional, tido como violento);
b) inicialmente os alunos se sentiram instigados a praticar o contato físico;
c) curiosidade dos alunos em relação à prática de uma modalidade diferente;
d) dificuldade inicial de adaptação à bola;
e) não conhecimento do professor pelo esporte, despertando interesse em aprender a modalidade (tanto o professor responsável pela turma quanto os alunos e amigos graduandos de Educação Física desconheciam o FlagFootball. Sequer tinham ouvido falar e só obtiveram conhecimento quando apresentado pelos alunos estagiários);
f) facilidade em aprender as técnicas de jogo;
g) aumento do estímulo do trabalho coletivo entre os alunos; e
h) perfeita harmonia entre meninos e meninas durante o jogo.

DISCUSSÃO

Uma das grandes dificuldades encontradas pelo docente de Educação Física Escolar está em se deparar com níveis diferenciados de habilidade entre alunos. Este fato é comum nos esportes como o futebol, basquete, vôlei e handebol, fazendo com que alguns se sintam excluídos.
Por meio da prática do Flagfootball, tais diferenças podem ser reduzidas, uma vez que se fomentam valores de cooperação, os alunos devem adotar uma série de padrões ou esquemas táticos coletivos; e existe também uma grande solicitação nas áreas de percepção, tomada de decisão e execução. Neste esporte, um jogador por si só não vai ser capaz de lograr o êxito, pois é necessário diálogo e estratégia de grupo. Antes de começar cada jogada a equipe deverá dividir as funções entre os jogadores e planejar quais serão os movimentos realizados. A coordenação nas ações de toda a equipe será o fruto do êxito, e tudo isso começa com um diálogo. Os participantes devem aceitar um conjunto de regras que regulam de uma forma determinada o comportamento motor individual e coletivo. Com isso, busca-se, por um lado, aproveitar os benefícios de um esporte coletivo e, por outro, canalizar a agressividade dos jogadores.
O Futebol Americano é um esporte de intenso contato físico, onde ocorrem várias contusões devido à agressividade e dureza nas jogadas. É marcado também pela cultura de massa americana como esporte de jogador viril e violento. Todos os anos morrem em média oito jogadores em resultado de lesões sofridas durante os jogos, e as temporadas registram em média 160 traumatismos cranianos. E por isso, a Liga Nacional de Futebol Americano (NFL) tem se preocupado cada vez mais com os jogadores, adotando métodos personalizados de verificação e análise de traumatismo após as lesões.
Por este fato, faz-se necessária cautela ao introduzir o Flagfootball nas aulas de Educação Física Escolar, pois sabe-se que é fatalmente confundido com o Futebol Americano. Assim, é preciso uma abordagem informativa (alunos, pais e docentes) relatando que o jogo a ser praticado se trata de um esporte diferente e que em nenhum momento serão toleradas atitudes agressivas, nem sequer o contato físico. E é por isso que não se deve poupar tempo para apresentar o esporte e suas regras básicas.
O Flagfootball desperta uma grande curiosidade nos alunos, estimulando modificações no sistema educacional, uma vez que é a partir dessa busca pelo conhecimento que serão criados e aperfeiçoados diversos métodos de aprendizagem. Para Pereira (2011), instigar a curiosidade da criança é ainda a melhor forma de despertá-la para o saber. O Flag faz com que não só alunos, como também professores, sejam estimulados pela sua criatividade, pois sua aceitação principalmente nos primeiros contatos depende diretamente do trabalho docente, a quem cabe a tarefa de desenvolver atividades e progressões pedagógicas para se chegar ao ponto considerado ideal, em que os discentes sintamse totalmente familiarizados com o desporto e continuem tendo prazer em praticá-lo.
É natural que em qualquer modalidade esportiva as dificuldades iniciais com a utilização do material de jogo venham a surgir. Esses, por sua vez, são aspectos que devem ser previstos pelo professor ao iniciar um trabalho de familiarização com um desporto pouco conhecido pelos alunos. Segundo a teoria das inteligências múltiplas contidas em Gardner e Hatcb (1989), os indivíduos não são dotados de um mesmo conjunto de competências, consequentemente, nem todos aprendem do mesmo modo. Dessa forma, uma das principais dificuldades enfrentadas pelos alunos observados durante o estágio foi a adaptação com a bola do jogo, que é a mesma usada no Futebol Americano (oval), sendo um esporte ainda de prática incomum nas escolas do país, mas que vem ganhando território rapidamente. O material em si, é considerado de baixo custo, uma vez que é uma modalidade sem contato físico, dispensando boa parte do aparato de segurança usado no Futebol Americano.
Para melhor inserir o aluno ao esporte, preconiza-se um processo de progressão pedagógica, estimulando os fundamentos inicialmente com atividades e bolas esféricas, as quais os alunos estão perfeitamente acostumados; após, introduz-se sistematicamente bolas adaptadas com formato oval. Passadas algumas semanas de inspeção, notou-se que as dificuldades foram diminuindo gradativamente e que as adversidades enfrentadas, de maneira geral, foram facilmente contornadas por professores e alunos.
No que tange à aprendizagem das técnicas do Flag, foi interessante perceber que os alunos não tiveram dificuldades para aprender as ações básicas do jogo – correr, segurar a bola, saltar etc. –, pois inicialmente não se está referindo a técnicas específicas. Garganta (1998) define bem, afirmando que as combinações de jogo contidas na tática por intermédio de jogos condicionados, voltados para o todo, facilitam o processo de aprendizagem da técnica. E ainda que o jogo é decomposto em unidades funcionais sistemáticas de complexidade crescente, nas quais os princípios regulam a aprendizagem. Ações técnicas são desenvolvidas com base nas ações táticas, de forma orientada e provocada. É possível então implicar que a prática do Flag adota como referência a ideia de que as situações de exercícios da técnica surgem claramente nas situações táticas, simplificando o jogo formal para jogos reduzidos e relacionando situações de jogo com a atividade propriamente dita.
A coletividade é um dos fatores mais trabalhados neste desporto, pois necessita de todos os jogadores para conseguir alcançar seus objetivos, tendo assim grande importância no processo de socialização e coletividade nas aulas de Educação Física.
A participação e interação de todos os companheiros de equipe é muito importante, pois na área de jogo cada um possui uma determinada função, e para que o objetivo seja alcançado, são necessários que todos os jogadores executem suas determinadas funções. Por meio da observação foi possível verificar que nas aulas as funções de cada educando foram bem ensinadas, mas a ação de marcar pontos teve que ser um pouco mais trabalhada. Havia uma dificuldade para entender que tudo tinha que ser feito de forma planejada, cada um respeitando suas devidas funções, e não realizando todas as ações ao mesmo tempo e pelo mesmo indivíduo.
No decorrer das aulas, com utilização de algumas atividades visando adaptação, os alunos passaram a entender a dinâmica do jogo e perceberam que todos tinham que participar para conseguir marcar pontos. Portanto, o Flag estimula a participação de todos. Aqueles que antes eram deixados de lado ou escolhidos por último passaram a ter sua importância dentro do jogo e, além disso, todas as características físicas eram bem aproveitadas. Aquele aluno que é “magrinho” e rápido para corredor, o “gordinho” para bloquear as jogadas na defesa, aquele que tem força nos braços e precisão para ser o lançador, dentre outras.
Em se tratando de sexos distintos ou até mesmo gêneros, o Flag é precipitadamente taxado como
elemento educacional de difícil ensinamento no ambiente escolar quando não há uma heterogenia dos educandos (separação entre meninos e meninas), justamente por ser estigmatizado como um jogo tipicamente masculino e desigual em seu país de origem (PERFEITO, 2011a), os EUA. Erroneamente acredita-se ainda que estudantes do sexo feminino apresentem um menor nível de
habilidade e conhecimento para o Flag, e mais fortemente, que meninas seriam intimidadas pelas diferenças em tamanho, velocidade e força de estudantes do sexo masculino.
Como no Brasil o jogo é pouco conhecido, ainda não existem diálogos específicos para impedir discursos negativos adentrando as escolas. Talvez, para evitar estes conflitos, a modalidade foi criada na perspectiva de promover um envolvimento equitativo dos alunos. A aplicação do Flagfootball com estruturas, regras, pontuação e equipamentos modificados, perspectivas que não estimulam a violência e trabalho em grupo, são exemplos que tornam o esporte mais convidativo para os alunos de ambos os sexos, independente de sua habilidade motriz.
Meninas desenvolvem estratégias de interação que levam a uma linguagem orientada para a colaboração e meninos apresentam linguagem orientada para a competição (MALTZ; BORKER, 1982). Por esse motivo a proposta dos autores em escolher o Flag como prática de ensino e de pesquisa, já que permite a prática mista, proporcionando a troca de valores e culturas. Além de oferecer mais dinamismo ao jogo, também contribui intensamente para reforçar os comportamentos de aproximação de estudantes do sexo masculino e feminino. Na idade estudada, em alunos do Ensino Médio, faz-se importante e interessante também a reflexão diante da sexualidade. Nessa fase, os discentes estão numa fase de mudanças corporais e reconhecimento do corpo. Essa proximidade permitida pelo Flag pode ser uma porta de entrada para discutir as diferenças anatômicas, de gênero, questões sexuais, entre outras, que ao que parece, atualmente encontram barreiras nas construções simbólicas da sociedade escolar e familiar (PERFEITO, 2011b).
A análise que pode ser feita diante das reflexões aqui contidas é que a dificuldade nem sempre está presente no ato de ensinar o jogo, mas na conduta social, que como um todo, ainda não sabe conviver com as diferenças. No entanto, ideias e comportamentos distintos, desde que intermediados pela ética aplicada pelos professores, aumentam as possibilidades de troca. E quanto mais diferentes de nós forem os outros, maiores as chances de alcançar aquilo que nos falta (FREIRE, 1997). Diante disto, a cultura lúdica respeita as diferenças de sexo e gênero dos alunos, sendo mediada pelas individualidades e necessidades de cada um. É sempre importante dizer que a atividade de Flagfootball tem características inclusivas e não leva em conta (requisito) o gênero, sexo, habilidade motora, ou qualquer outra característica, promovendo assim um jogo harmonioso e justo e preparando o indivíduo para a convivência social no pós-escola, como proposto por Perfeito (2011c).

SUGESTÕES

Para facilitar a iniciação do Flag nas escolas, devem-se utilizar materiais adaptados como pedaços de pano como flags (fitas), bolas macias em que os alunos possam recepcionar com apenas uma mão, e que seja totalmente esférica. Com isto, é possível eliminar a incerteza pelo novo, já que uma bola oval tem comportamento diferente da que estão acostumados a manipular.
Pode-se empregar ainda a título de adaptação ao jogo a brincadeira Pique-Bandeira (RETONDAR, 2012), que se assemelha um pouco à dinâmica do Flag por se tratar de uma disputa territorial. Adapta-se a bandeira com a utilização de uma bola para que os alunos, ao pegarem, façam a corrida semelhante à do Flag (segurando com uma das mãos) e ainda colocam-se na cintura dos alunos fitas (flags) de pano que ao serem puxadas servem para “colar” o jogador e devolver a bola ao ponto inicial. No demais, a brincadeira é a mesma, podendo claro, sempre sofrer outras variações.
Quando os alunos adquirirem a dinâmica do jogo, será o momento de introduzir a bola oval. Para isso pode-se utilizar diferentes materiais que existem no mercado: bola de espuma, de material sintético ou de couro em tamanho pequeno.
É sugestivo ainda aos professores respeitar as seguintes etapas:
a) explicar com clareza o jogo a ser realizado;
b) abreviar, se possível, explicações menosimportantes;
c) não iniciar o jogo se os alunos não tiverementendido o seu funcionamento;
d) em caso de dúvidas constantes realizaruma demonstração; e
e) estar atento o tempo todo ao jogo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

São muitos os benefícios possíveis ao praticar o Flagfootball. Na sociedade em que se vive, encontram-se ocasiões em que não se atribui importância a alguns benefícios da prática de atividade física. A saúde é uma delas. E por isto, tenta-se introduzir a prática deste esporte como uma atividade física pedagógica e também como alternativa saudável no ambiente escolar.
Os profissionais de Educação Física, como educadores, necessitam ofertar uma gama de atividades físicas que ajudem a melhorar o âmbito motor, o âmbito da saúde e o âmbito psicossocial. Nesse escopo, o Flag se torna uma possibilidade.
Conclui-se assim que, ao trabalhar o Flagfootball na escola, quando de maneira consciente por parte do docente, são oportunizados aos alunos tais âmbitos, além de valores de vida, como o trabalho multidisciplinar, o combate à violência e a aceitação de novas culturas. Sugeremse, ainda, outros trabalhos com pesquisa de campo que reflitam sobre o comportamento do Flag em diferentes faixas etárias.

REFERÊNCIAS

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