Prevalência de lesões desportivas em atletas de Futebol AMERICANO NO ESTADO DA BAHIA NA TEMPORADA 2018

COMERLATO FILHO, Carlos João. PREVALÊNCIA DE LESÕES DESPORTIVAS EM ATLETAS DE FUTEBOL AMERICANO NO ESTADO DA BAHIA NA TEMPORADA 2018. 25 fl. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Educação Física) – Centro Universitário Estácio da Bahia, Salvador, 2019.

RESUMO

O futebol americano é um esporte popular nos Estados Unidos da América (EUA). Com sua crescente popularidade em terras brasileiras, por meio de transmissões na TV, à procura por esta prática esportiva vem ascendendo nos últimos anos. Na Bahia já é um realidade, existe dois times registrados na CBFA possuindo mais de 100 adeptos que atuam de forma amadora. O futebol americano é consideravelmente novo no Brasil, é um esporte agressivo e altamente lesivo fisicamente para seus adeptos, alem de ainda ser amador, traz consigo suas dificuldades na falta de investimento e preparação no âmbito geral. O estudo teve com objetivo principal de identificar a prevalência de lesões desportivas que acometem os atletas amadores de futebol americano no estado da Bahia na temporada 2018. Foi utilizada como método uma pesquisa quantitativa de objetivo descritivo, no qual, terá como base coletora de dados um questionário online pela plataforma Google Drive/Planilhas. A investigação foi aplicada em todas as equipes situadas em território baiano, o Cavalaria 2 de Julho, contendo 50 atletas e o Santana Red Bulls, contendo 53 atletas. Para a análise de dados, será utilizou uma estatística descritiva, com variabilidade, tendências centrais e medidas de frequências. No qual, os dados foram tabulados e analisados no software Microsoft Office Excel (2007). O estudo teve como resultado a maior prevalência de lesões do tipo entorse, acometidos em 36,73% dos jogadores e 21,95% ao número de lesões e de como local o tornozelo, 40,49% dos jogadores e 20% do número de locais. Onde 47,57% dos atletas baianos obtiveram lesões, apontando a posição Defensive Lineman com mais relatos (20,41%) e os Wide Receiver com maior prevalência (19,51%). E também foi relatado que 47,58% dos praticantes de TFI, obtiveram lesões, sendo eles que 65,05% praticam musculação.

Palavras-chave: Lesões desportivas, futebol americano, esporte baiano.

INTRODUÇÃO

O futebol americano é um esporte popular e teve sua origem nas décadas de 50 e 60 nos Estados Unidos da América (RODRIGUES et al., 2014). No Brasil, começou a ser praticado nos anos 90, nas praias do Rio de Janeiro e, sua disseminação em outros estados iniciou nos anos 2000(Confederação Brasileira de Futebol Americano, 2018).

É um esporte de característica intermitente, com múltiplas jogadas de intensidade, acíclicas e com grande demanda do sistema metabólico (aeróbio e anaeróbio), onde é necessário ter capacidades físicas como velocidade, agilidade, força e potencia muscular (HOFFMAN, 2008). Segundo Dick (2007), é um esporte agressivo, com colisões de alto impacto, que podem ocorrer lesões em situações com ou sem contato.

Com a crescente popularidade do futebol americano em terras brasileiras, por meio de transmissões na TV, à procura por esta prática esportiva vem ascendendo nos últimos anos. Há muitos estudos que falam sobre lesões desportivas dentro do futebol americano em equipes estrangeiras, principalmente nos EUA, já no Brasil, há uma carência destas citações. Por ser um esporte considerado agressivo, onde sua prática vem dando crescimento em solo verde e amarelo e, por estar caindo no gosto dos baianos, criou-se um seguinte questionamento de quais são as prevalências de lesões desportivas em jogadores de futebol americano no estado da Bahia.

Para tal, este estudo tem como propósito de minimizar esta insuficiência de artigos do futebol americano brasileiro e de ser o pioneiro no estado baiano, além de ter como objetivo, identificar a prevalência de lesões desportivas nos atletas baianos de futebol americano na temporada 2018, verificar as áreas mais acometidas por estas lesões e correlacionar com sua posição e o tipo de realização ou não de um programa físico individual. Tudo isto para que futuramente auxiliem as equipes na elaboração de treinamento, preparação física e prevenção de lesões voltadas ao esporte.

METODOLOGIA

A metodologia adotada é uma pesquisa quantitativa de objetivo descritivo para revelar e descrever, em números, as características, informações e análises das lesões em praticantes da modalidade, que atuam de forma amadora em times baianos de futebol americano na temporada 2018.

A investigação foi aplicada em todas as equipes situadas em território baiano, registradas pela CBFA, o Cavalaria 2 de Julho, contendo 50 atletas e o Santana Red Bulls, contendo 53 atletas.

A pesquisa teve como base coletora de dados um questionário realizado pelo pesquisador, que foi aplicado de forma online, sem a interferência do entrevistador, pela plataforma Google Drive/Planilhas, elaborado exclusivamente para os atletas de futebol americano, no qual teve como base o IMR dos estudos de Ferreira (2016), onde foi modificado na caracterização do atleta com a inclusão de qual time o entrevistado joga, a sua posição de origem e qual programa físico individual o entrevistado executa. E na caracterização das lesões, houve a inclusão da concussão nos tipos das lesões, pois os esportes de contato podem estar associados a este risco desta lesão (IANOF, 2014) e no local anatômico, foi incluída a região da cabeça e perna, no qual, são regiões da anatomia humana que também estão à mercê de um impacto dentro deste desporto. E houve a exclusão do tópico momento da lesão, pois não há necessidade deste estudo saber em qual mecanismo o atleta foi acometido.

O questionário contou com perguntas de múltipla escolha e dividido em partes, contendo o TCLE conforme a Resolução nº466/12 do Conselho Nacional de Saúde – CNS, a caracterização do atleta e a caracterização da lesão. Para a caracterização dos atletas, o entrevistado mencionará informações sobre a idade, peso, altura, em qual time está atualmente, sua posição de origem, qual o programa de treinamento físico individual e se obteve alguma lesão dentro do futebol americano na temporada 2018. Para a análise da prevalência das lesões desportivas, será considerada a identificação do tipo da lesão e o local anatômico que foi acometido.

Para a análise de dados, foi utilizada estatística descritiva, com variabilidade, tendências centrais e medidas de frequências. No qual, os dados foram tabulados e analisados no software Microsoft Office Excel (2007).

A aplicação deste questionário apresenta como risco a exposição do esporte mediante a estas lesões, pois se trata de um desporto agressivo, acíclico, com contatos de alto impacto. Pois no Brasil, principalmente na Bahia, este esporte ainda é amador, no qual muitos times não apresentam uma boa estrutura para a prática e não possuem uma equipe multidisciplinar adequada. Porém há um fornecimento de informações sobre quais as lesões são mais acometidas e se a prática ou não de um treinamento físico individual influenciará sobre ela, nos atletas de futebol americano na temporada 2018. Com isto, deve contribuir para uma análise de um futuro programa e periodização de treinamento, com âmbito de evitar estas lesões.

RESULTADOS

A Tabela 1 traz as variáveis de idade, peso, altura e IMC dos atletas baianos de futebol americano na temporada 2018. Identificou-se que, a média de idade em anos dos atletas é de 25,96 anos, com desvio padrão de 5,81, em uma população de 103 indivíduos. No peso, em quilos, a média é de 90,07kg e com desvio padrão de 19,13kg, no total de 103 indivíduos. Na altura dos atletas, representada em centímetros, deu-se uma média de 180,59cm, com desvio padrão de 8,22cm, em uma população de 103 atletas. E no que se trata de IMC, a média deu entre 27,46 com desvio padrão de 5,28, no total de 103 atletas.

A Tabela 2 mostra a quantidade de atletas nos times baianos de futebol americano na temporada 2018. Identificou-se que, 48,54% joga no Cavalaria 2 de Julho e 51,46% joga no Santana Redbulls.

A Tabela 3 identifica a quantidade de atletas por posição nos times de futebol americano baiano na temporada 2018, onde 15,53% joga de Cornerback, 15,53 de Defensive lineman, 0,97% de Kicker, 12,62 de Linerback, 11,65% de Offensive Lineman, 0% de Punter, 6,8% de Quarterback, 8,74% de Running Back, 6,8% de Safitie, 2,91% de Tight End e 18,45% de Wide Receiver.

Na Tabela 4 visualiza-se o tempo de treinamento dos atletas na modalidade, onde 22,33% tem menos de 1 ano, 55,34% de 1 a 3 anos e 22,33 a mais de 3 anos.

A Tabela 5 dá as variáveis dos atletas que realizam Treinamento Físico Individual – TFI, 68,18% praticam musculação, 2,27% Crossfit, 18,94% Treinamento Funcional, 4,55% fazem outras praticas individuais e 6,06% não praticam TFI.

Na Tabela 6 caracteriza a quantidade de atletas que obtiveram lesões, foi de 47,57% para sim e 52,43 para não.

A Tabela 7 mostra os tipos de lesões acometidas entre os jogadores baianos de futebol americano na temporada 2018. Sendo que, 15 atletas obtiveram uma Distensão Muscular, que corresponde a 30,61% dos jogadores e 18,29% pelo número de lesões, 9 atletas tiveram uma Contratura Muscular, que corresponde a 18,37% dos jogadores e 10,98% ao número de lesões, 8 atletas obtiveram uma Tendinopatia, que corresponde a 16,33% dos jogadores e 9,76% pelo numero de lesões, 18 atletas tiveram uma Entorse, que corresponde a 36,73% dos jogadores e 21,95% ao número de lesões, 7 atletas tiveram uma Fratura, que corresponde a 14,29% dos atletas e 8,54% pelo número de lesões, 7 atletas obtiveram uma Ruptura de Ligamento, que corresponde a 14,29% dos atletas e 8,54% ao número de lesões, 1 atleta obteve uma Mialgia, que corresponde a 2,04% dos atletas e 1,22% do número de lesões, 8 atletas relataram uma Dor aguda Inespecífica, que corresponde a 16,33% dos atletas e 9,76 ao numero de lesões, 4 atletas relatam Dor Crônica Inespecífica, que corresponde a 8,16% dos jogadores e 4,88% das lesões em atletas tiveram uma Concussão, que corresponde a 10,2% dos atletas e 6,1% das lesões.

A Tabela 8 mostra os locais acometidos pelas de lesões entre os jogadores baianos de futebol americano na temporada 2018. Sendo que, 1 atleta obtive uma lesão na Região Cervical, que corresponde 8,16% ao número de atletas e 1% do número de locais, 11 atletas obtiveram uma lesão no Ombro, que corresponde a 22,45% dos atletas e 11% do número de locais, nenhum atleta relatou que obtiveram uma lesão no cotovelo e antebraço, que corresponde a 0% no número total de jogadores e de locais acometidos, 7 atletas obtiveram uma lesão no punho, que corresponde a 14,29% dos atletas e 7% dos locais, 1 atleta obtive uma lesão no Tórax, que corresponde 8,16% ao número de atletas e 1% do número de locais, 5 atletas obtiveram uma lesão na Região Lombar, que corresponde a 10,2% dos atletas e 5% do número de locais, 12 atletas obtiveram uma lesão na Coxa, que corresponde a 24,49% dos atletas e 12% do número de locais, 12 atletas obtiveram uma lesão no Joelho, que corresponde a 24,49% dos atletas e 12% do número de locais, 20 atletas obtiveram uma lesão no Tornozelo, que corresponde a 40,49% dos atletas e 20% do número de locais, 14 atletas obtiveram uma lesão no Dedo das Mãos, que corresponde a 28,57% dos atletas e 14% do número de locais, 1 atleta obtive uma lesão no Dedo dos pés, que corresponde 8,16% ao número de atletas e 1% do número de locais, 3 atletas obtiveram uma lesão no Cóccix, que corresponde a 6,12% dos atletas e 3% do número de locais, 4 atletas obtiveram uma lesão na Cabeça, que corresponde a 8,16% dos atletas e 4% do número de locais e 9 atletas obtiveram uma lesão na Perna, que corresponde a 18,37% dos atletas e 9% do número de locais.

A Tabela 9 mostra a quantidade de atletas por posição, que obtiveram ou não lesões desportivas na temporada 2018. Dos 16 conerbacks (15,53% dos atletas em geral), 7 obtivera lesões, que equivale a 14,29% dos atletas lesionados e 9 não obtiveram lesões, que são 16,67% dos atletas não lesionados, 16 defensive linemans (15,53% dos atletas em geral), 10 obtivera lesões, que equivale a 20,41% dos atletas lesionados e 6 não obtiveram lesões, que são 11,11% dos atletas não lesionados, 1 kicker (0,97% dos atletas em geral), 0 obteve lesão, que equivale a 0% dos atletas lesionados e 1 não obtive lesão, que são 1,85% dos atletas não lesionados, 13 linerbacks (12,62% dos atletas em geral), 6 obtivera lesões, que equivale a 12,24% dos atletas lesionados e 7 não obtiveram lesões, que são 12,96% dos atletas não lesionados, 12 offensive linemans (11,65% dos atletas em geral), 6 obtivera lesões, que equivale a 12,24% dos atletas lesionados e 6 não obtiveram lesões, que são 11,11% dos atletas não lesionados, 0 punter (0% dos atletas em geral), então é equivalente a 0% de obtenção e não obtenção de lesões desportivas, 7 quaterbacks (6,8% dos atletas em geral), 2 obtivera lesões, que equivale a 4,08% dos atletas lesionados e 5 não obtiveram lesões, que são 9,26% dos atletas não lesionados, 9 running backs (8,74% dos atletas em geral), 5 obtivera lesões, que equivale a 10,2% dos atletas lesionados e 4 não obtiveram lesões, que são 7,41% dos atletas não lesionados, 7 safities (6,8% dos atletas em geral), 4 obtivera lesões, que equivale a 8,16% dos atletas lesionados e 3 não obtiveram lesões, que são 5,56% dos atletas não lesionados, 3 tight ends (2,91% dos atletas em geral), 3 obtivera lesões, que equivale a 6,12% dos atletas lesionados e 0 não obtive lesão, que são 0% dos atletas não lesionados e 19 wide receivers (18,45% dos atletas em geral), 6 obtivera lesões, que equivale a 12,24% dos atletas lesionados e 13 não obtiveram lesões, que são 24,07% dos atletas não lesionados.

A Tabela 10 mostra a quantidade de atletas que praticam ou não TFI, que obtiveram ou não lesões desportivas na temporada 2018. Dos 90 atletas que fazem musculação (68,18% dos atletas em geral), 41 obtivera lesões, que equivale a 65,08% dos atletas lesionados e 49 não obtiveram lesões, que são 71,01% dos atletas não lesionados, 3 atletas que fazem crossfit (2,27% dos atletas em geral), 2 obtivera lesões, que equivale a 3,17% dos atletas lesionados e 1 não obtive lesão, que são 1,45% dos atletas não lesionados, 25 atletas que fazem treinamento funcional (18,94% dos atletas em geral), 14 obtivera lesões, que equivale a 22,22% dos atletas lesionados e 11 não obtiveram lesões, que são 15,94% dos atletas não lesionados, 6 atletas que fazem outras praticas de TFI (6,06% dos atletas em geral), 2 obtivera lesões, que equivale a 3,17% dos atletas lesionados e 4 não obtiveram lesões, que são 5,8% dos atletas não lesionados e 8 atletas que fazem não praticam TFI (6,06% dos atletas em geral), 4 obtivera lesões, que equivale a 6,35% dos atletas lesionados e 4 não obtiveram lesões, que são 5,8% dos atletas não lesionados.

A Tabela 11 revela os tipos de lesões acometidas pelas posições do futebol americano, nos times baianos na temporada 2018. E foi descrito que, os conerbacks obtiveram mais ocorrências de distensões musculares na temporada (3 de 9, que equivale a 33,33%), os defensive linemans obtiveram mais ocorrências de distensões musculares e entorses (cada uma 4 de 12, que equivalem a 33,33% cada), o kicker não obteve lesão, os linerbacks obtiveram mais ocorrências de distensões musculares, tendinopatia e dor aguda inespecífica (cada uma 2 de 10, que equivalem a 20% cada), os offensive linemans obtiveram mais ocorrências de distensões musculares (3 de 11, que equivale a 27,27%), o punter não obteve lesão, os quaterbacks obtiveram mais ocorrências de entorse (2 de 4, que equivale á 50%), os running backs obtiveram mais ocorrências de distensões musculares e entorses (cada uma 3 de 9, que equivalem a 33,33% cada), os safities obtiveram mais ocorrências de contratura muscular e dor aguda inespecífica ( cada uma 2 de 8, que equivalem a 25% cada), os tight ends obtiveram mais ocorrências de entorses ( 2 de 3, que equivale a 66,6%) e os wide receivers obtiveram mais ocorrências de tendinopatia e entorses ( cada uma 3 de 16, que equivalem a 18,75% cada). Há também duas descrições nesta tabela, de que, a posição que mais apresentou casos de lesões, foram a dos wide receivers, com 16 casos e a lesão mais prevalente entre todas as posições, foi à entorse, com 18 casos.

DISCUSSÃO

Além de ser um esporte com uma grande demanda do sistema metabólico, intermitente e acíclico, o futebol americano possui uma característica agressiva no mundo desportivo, pois em sua natureza, há colisões de alto impacto e realizações de múltiplas atividades simultaneamente, tendo-se assim, riscos de lesões com ou sem impacto. Dick (2007) e Orchard e Powell (2003) citam sobre os riscos eminentes deste esporte, tanto dos fatores intrínsecos (relacionadas ao jogador) e extrínsecos (relacionadas ao ambiente), onde mais de 78% dos atletas da NCAA obtiveram lesões desportivas, porém, estes dados se encontra um pouco distinto com a realidade do futebol americano baiano, onde mostrou que menos da metade dos atletas baianos (47,57%) obtiveram lesões na temporada 2018.

Entretanto, em apenas uma temporada, em 2018, foram relatadas 82 tipos de lesões dentro dos 49 atletas baianos, isto equivale a 1,67 lesões por jogador. Um número relativamente alto para uma temporada, que em base, é jogado 7 á 10 jogos por ano e treinos apenas de 1 á 2 dias por semana. E este estudo mostrou que o maior relato de local lesionado foi a do tornozelo, foram 20 atletas, que corresponde a 40,49% dos jogadores e, o maior relato do tipo da lesão foi à entorse, com 18 atletas, que corresponde a 36,73% dos jogadores. Os estudos de Dick (2007) falam sobre destas prevalências, que estão entre as 5 principais tipos e locais de lesões acometidas neste desporto, pois se trata de uma área que é vulnerável a qualquer fator existente no esporte, tanto intrínseco quanto extrínseco.

Outro dado que se mostra diferente aos estudos de Dick (2007), são as posições que mais são acometidas por lesões, o autor cita que os Runnings Backs (19,65%), Quarterbacks (17,5%) e Linerbacks (15,5%) possuem a maior prevalência. Já neste estudo, a posição que mais relata as lesões são os Defensives Linemans, 10 dos 49 atletas (20,41%), pois se trata de uma posição exclusivamente explosiva e agressiva, entrando em contato direto com seus adversários de forma rápida e forte, pois a defesa não tem ideia quando e como seu adversário atacará. Porem, a posição que mais prevalece às lesões, é a dos Wide Receivers, com 16 dos 82 casos de lesões desportivas na temporada 2018 (19,51%), por ser uma posição que necessita ter valências físicas apuradas, realização de múltiplas jogadas constantemente e caçada pela defesa adversária mesmo estando com a posse da bola ou não.

Em relação à associação entre a prevalência de lesões com a prática de TFI, notou-se uma resposta que se deve atentar ao ponto de vista sobre o que a preparação física é e trás ao atleta. Ou seja, 94,95% realizam um ou mais tipo de TFI, sendo 47,36% dos praticantes de TFI relataram a ocorrência de lesão, isto indica que pouco menos da metade dos praticantes de uma preparação física individual, onde a maior prevalência de lesionados associados ao TFI é de Musculação, com 41 atletas (65,08%). Esse resultado parece preocupante, pois é esperado que o treinamento físico individual tivesse a associação com a redução das lesões. Dick (2007) cita que, o fato dos atletas ficarem mais fortes e mais rápidos pode acabar acarretando em forças de colisões maiores e mais rápidas, ocasionando mais lesões e, por conta de estarem mais preparados, se há uma exposição maior do atleta em sofrerem algum tipo de lesão, isto pode
explicar esses ocorridos neste estudo. É importante salientar que, por ser um esporte que exige muito contato físico, a preparação física (ou condicionamento físico) é muito importante para os adeptos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No presente estudo encontrou-se uma prevalência de lesões do tipo entorse, acometidos em 36,73% dos jogadores e 21,95% ao número de lesões e o tornozelo, como o local mais acometido por lesões na temporada 2018, equivalente a 40,49% dos jogadores e 20% do número de locais. Sendo que, 47,57% dos atletas baianos obtiveram lesões, apontando a posição Defensive Lineman com maiores relatos (20,41%) e os Wide Receiver como a posição com maior prevalência (19,51%). E também foi relatado que 47,36% dos praticantes de TFI, obtiveram lesões, sendo eles que 65,05% praticam musculação.

REFERÊNCIAS

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